Servidor diz que tinha medo de eventual "queima de arquivo" se não concordasse participar de esquema
Recife, 13 (AE) - O servidor da Prefeitura de São Paulo, José Raimundo dos Santos, de 42 anos, acusado de envolvimento na máfia dos fiscais, disse hoje no Recife que temia uma eventual "queima de arquivo", se não concordasse em participar do que chamou de "rotativa da máquina". Ele estava foragido e foi presona capital pernambucana ontem à noite. Segundo Santos, os fiscais recebiam uma gratificação para um "cafezinho" todos os fins de semana no valor de R$ 150,00. O fiscal declarou saber que o dinheiro tinha origem ilegal, mas aceitava porque tem uma filha de 4 anos para criar e queria melhorar de vida.
De acordo com Santos, o dinheiro era repassado pelo encarregado dos fiscais da Administração Regional da Sé, onde trabalhava, Vagner Leonardo, que se encontra preso em São Paulo. O servidor disse estar arrependido de ter fugido para Recife. "Deveria ter me apresentado à polícia quando a Justiça decretou a minha prisão".
A equipe na qual trabalhava era composta por nove pessoas. O trabalho de Santos era evitar que os ambulantes montassem suas barracas em locais proibidos. O fiscal disse que nunca recebeu propina diretamente dos camelôs e não viu ninguém receber. Santos afirmou que não conhecia o vereador Hanna Garib (PPB), suspeito de comandar o esquema. (Luciana Leão, especial para a AE)





