São Paulo, 12 (AE) - Os efeitos do blecaute que atingiu São Paulo se estenderam durante o dia.Mesmo depois que a Eletropaulo anunciou a "volta à normalidade", por inexistência de uma estrutura de emergência ou falhas nos esquemas existentes
vários serviços públicos continuaram prejudicados. Várias regiões ficaram sem água. Outras, com o telefone mudo. Semáforos desligados, havia pela cidade toda.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não tem nenhum mecanismo para que os semáforos continuem funcionando em caso de falta de energia. Os 4.700 semáforos ficaram desligados, provocando muita confusão. Restabelecida a energia, 209 continuaram sem funcionar por um tempo; até o fim da tarde, ainda eram 34 os semáforos desligados.
"Ficaria caro manter geradores para os semáforos", diz o diretor de Operações da CET, Luiz Carlos Cunha. Ele prometeu que, até o fim do ano, 250 unidades na região central receberão o sistema "no break", que permite o funcionamento por algumas horas após eventual colapso. Os semáforos "eleitos" serão aqueles dos principais corredores do Centro da capital paulista.
Das 100 centrais de telefone da capital, 5 tiveram problemas, segundo a Telefônica, com 170 mil linhas mudas em Santana, na zona norte, e nas regiões de Jabaquara, Interlagos, Americanópolis e Campo Belo, todas na zona sul. Em Campo Belo, o problema foi das 6h25 às 10h30. O horário de início da falha evidencia a extensão do "efeito dominó". A Telefônica alega ter havido problemas nos geradores.
A falta de água foi mais sentida em outras cidades da Grande São Paulo. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) suspendeu durante cinco horas a produção de água potável. Por isso, as cidades de São Bernardo, Diadema, Santo André e Osasco passaram o dia todo sem água. A previsão da Sabesp era de normalização a partir desta madrugada. "Se não houver outro blecaute", disse Amauri Polliachi, gerente do Departamento de Controle Operacional da Sabesp. Outras cidades atingidas foram Taboão da Serra, Arujá e Carapicuíba. Em São Paulo, foram prejudicados os bairros mais altos e distantes do centro, como o Itaim Paulista, na zona leste, o Butantã, na zona oeste, Morumbi e Capão Redondo, na zona sul.
Se o horário da falta de luz foi ruim no caso do fornecimento de água, foi bom para o trânsito. Segundo o engenheiro Cunha, da CET, um blecaute durante o dia, na pior das hipóteses no fim da tarde, teria consequências incalculáveis. "Se houver outro blecaute, que seja no horário em que ocorreu esse, ou um pouco mais tarde", disse.
Luzes - O Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) recebeu hoje 43 denúncias sobre a falta de iluminação de emergência em imóveis da capital - metade delas referente a universidades e escolas. "Todos os prédios têm sistema de segurança, mas o problema é a falta de manutenção", avaliou o diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli.
Segundo ele, houve reclamações sobre falhas em lâmpadas de emergência e até mesmo casos de portas de emergência trancadas com cadeado - situações que levaram pânico a pessoas prejudicadas com o blecaute. Todos os casos serão investigados pelo Contru. Venturelli afirmou que todos os locais de grande concentração de público - bares, restaurantes, cinema, estádios de futebol - precisam ter um sistema que garanta o abastecimento suficiente de energia pelo tempo mínimo de uma hora e meia.

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