Serviços pagam mais para mulheres
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sábado, 28 de abril de 2001
Agência Folha De São Paulo 
Alguns mitos do mercado de trabalho começam a cair. Além da redução das diferenças salariais entre homens e mulheres, em alguns setores o salário médio de contratação feminino já é maior que o masculino. Esse é o caso da construção civil, que em 2000 pagou um rendimento médio inicial de R$ 501,04 para as mulheres e de R$ 500,5 para os homens. Mas a participação da mulher no setor de construção civil ainda é pequena. Existem apenas 25.402 mulheres empregadas no setor.
Um bom indicador de mudanças é o setor de serviços, que paga o maior salário inicial para mulheres, R$ 627,50. Existem 1,625 milhão de mulheres empregadas no setor de serviços. Nesse segmento, a diferença entre o salário médio inicial feminino e o masculino (R$ 704,40) registra a menor variação, de 10,9%.
A maior diferença salarial entre homens e mulheres está na indústria, um setor onde a participação da mão-de-obra feminina é crescente. De acordo com pesquisa da Fundação Seade/Dieese, o salário de contratação feminino na indústria em 2000 foi de R$ 500,06. Para os homens, a indústria pagou um rendimento médio inicial de R$ 648,70 em 2000.
Isso significa uma diferença de 22,9% entre o salário de homens e mulheres. O curioso é que a participação da mulher na indústria em 2000 cresceu 5,8% na comparação com 1999. No ano passado, a indústria admitiu 172.940 mulheres e demitiu outras 145.958 trabalhadoras.
Somado ao estoque de 466.786 vagas ocupadas por mulheres, a indústria fechou 2000 empregando 493.768 pessoas do sexo feminino. Apesar da diferença salarial entre homens e mulheres estar diminuindo, as mulheres ainda demoram mais tempo para arrumar um novo emprego. O tempo médio de procura por um novo emprego para as mulheres aumentou um mês de 1999 para 2000, chegando agora a dois anos de espera.
Esse período de desemprego feminino é o maior de toda década. Na comparação com 1989, o tempo de procura por um novo emprego dobrou. Para os homens, o tempo de desemprego ficou estável entre 1999 e 2000, em 1 ano e 3 meses. Na comparação com 1989, houve um aumento de 10 meses no tempo de desemprego masculino.
Os homens também tiveram um maior crescimento da taxa de ocupação em 2000, 4,4%, contra 3,3% das mulheres. Esse resultado reflete um mudança no ritmo de incorporação da mulher no mercado de trabalho, que apresentou trajetória crescente nos anos anteriores. No lado contrário, a taxa de ocupação entre os homens havia registrado queda nos dois anos anteriores.


