Curitiba- De cada dez pacientes que fazem tratamento ortodôntico, três procuram outro ortodontista porque tiveram problemas e precisam fazer o tratamento de novo. A estimativa é da Associação Paranaense de Ortodontia e Ortopedia Facial que recebe cerca de 150 a 200 reclamações por ano relativas a problemas com especialistas nesta área. O presidente da associação, Wilson Buffara, alerta que à medida que aumenta a prestação de serviços desqualificados, cresce o número de reclamações, que têm sido mais intensas nos últimos cinco anos.
''Recebemos casos muito escabrosos como erros de diagnóstico, extrações de dentes que não precisariam ser realizadas e aparelhos fixos muito mal montados. Os diagnósticos não são feitos por negligência e imperícia. Há tratamentos que são deixados na mão de auxiliares'', disse o ortodontista Maurício Accorsi.
O atendimento realizado de maneira incorreta pode gerar problemas de articulação, de cárie, de gengiva, reabsorção radicular (diminuição do tamanho do dente e perda da raiz) até a perda total dos dentes.
Buffara comentou que nos últimos dez anos vem aumentando muito a oferta de profissionais na área de odontologia e, vários deles, estão se voltando para a realização de tratamento ortodôntico. Ele esclareceu que, para fazer este tipo de atendimento aos pacientes, o profissional precisa ter cursado de dois anos e meio a três de especialização para que possa realizar os tratamentos com segurança. E, os cursos devem ser realizados por instituições reconhecidas pelo Conselho Federal de Odontologia.
''Muitos profissionais sequer realizam os cursos em instituições sérias, fazem cursos de curtíssima duração e não reconhecidos pelo Conselho Federal'', disse. Com esta deficiência de formação, os tratamentos não trazem melhoria para os pacientes. Um tratamento malconduzido leva à piora da saúde bucal, perda de dentes devido ao excesso de força do aparelho, mutilação do perfil da face do paciente, problemas gengivais, estéticos e desvio na mastigação.
Buffara esclarece que todo dentista pode realizar alguns procedimentos de ortodontia preventiva mas, sem a especialização, o profissional não pode atuar em ortodontia corretiva. O tratamento preventivo envolve procedimentos simples como colocação de aparelho de posição lingual e aparelho para manter os espaços dos dentes quando os dentes de leite caem.
Hoje o Paraná conta com 850 ortodontistas especializados mas há cerca de 4 mil atuando na área. ''Não dá para dizer que há 3 mil profissionais na ilegalidade'', destacou. Isso porque, uma parte deles atua com ortodontia preventiva. O Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR) informou que o maior número de denúncias feitas por pacientes está relacionado à ortodontia, seguido de implantes e próteses. A entidade esclarece que o número de reclamações sobre ortodontia é significativo mas não informa estatísticas por questões éticas.

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