O atendimento prioritário para cirurgia plástica reparadora já funciona há mais de um ano em Londrina, por meio da Lei Municipal 12.080 de 9 de junho de 2014. Além das cirurgias de recuperação físico-estética, a rede pública de Saúde de Londrina também oferece tratamento ortodôntico às mulheres vítimas de agressão.
De acordo com a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Sônia Medeiros, o município é vanguardista na questão, se antecipandou à discussão que existe desde 2007 na esfera estadual. "São sequelas na alma que precisam ser tratadas. A reparação das marcas deixadas pelo agressor é um direito dessas mulheres", afirma a secretaria.
Segundo ela, é difícil precisar o número de atendimentos específicos, mas a média de procura no Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CAM) é de 30 casos por mês. O município mantém uma casa-abrigo que acolhe mulheres e os filhos delas em situação de risco. O tempo de permanência geralmente é de duas a sete semanas, mas houve caso de oito meses de permanência.
Contudo, Sônia admite que o serviço depende do calendário do Sistema Único de Saúde. "Para nós, esta é uma prioridade muito grande, mas que infelizmente está sujeita a uma fila no agendamento."
Apesar da disponibilidade da cirurgia plástica, a maior demanda é pelos serviços ortodônticos. "Geralmente é pela perda de dentes, resultado das agressões", detalha a diretora de enfrentamento de violência contra a mulher do CAM, Lucimar Rodrigues da Silva.
Ela destaca que as histórias de vida das mulheres são muito parecidas. "As vítimas têm autoestima muito baixa e revelam que entre seus sonhos está modificar as marcas que ficaram no corpo, pois muitas enfrentam o preconceito e a exclusão social devido a elas", constata. (C.F.)

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