Serviço de Papai Noel é presente para aposentado
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domingo, 26 de novembro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
O simpático Papai Noel que aparece nos comerciais de televisão e das revistas, não tem trenó nem renas. Cuida de dois cachorros e, ao contrário do cenário gélido da Groenlândia, mora numa casa de madeira rodeada de verde. Um alto cedrinho, plantado por sua mulher há 34 anos, serve de BNH das aves. Pássaros dos mais variados tipos e raças pousam ali.
Todos os anos o velhinho sai dali para encantar crianças e adultos nos variados endereços de Curitiba, como no Polo Shopping Estação (ex-Estação Plaza Show). Sua folha corrida inclui o Omar Shopping e o Shopping Água Verde. As visitas nas residências são igualmente disputadas e, geralmente, dois meses antes do Natal, a agenda está fechada.
As atividades desse homem de longas barbas brancas, cultivadas há quatro anos para melhor compor a imagem, geralmente têm início entre agosto e setembro com as gravações de comerciais. Aquilo que virou tradição em sua vida começou por acaso há 25 anos, quando vestiu-se de Papai Noel por brincadeira, a pedido de seu amigo Otelo Queirolo, o famoso Chic-Chic.
Hoje, a história é outra: o Natal representa para o cidadão Murilo Oliveira, 66 anos, aposentado do IBGE, uma fonte de renda que permite a ele pagar de uma só vez impostos como IPTU e IPVA. Assim a gente se equilibra durante o ano inteiro, conta sua mulher, Delurdes de Oliveira, 58, que desde 1997 acompanha o marido como Mamãe Noel. Sexta-feira próxima, dia 1º de dezembro, às 16 horas, os dois iniciam temporada no Polo Shopping Estação. Ficarão ali todas as tardes até as vésperas do Natal, no dia 24.
Quando ainda existia o Estação Plaza Show o departamento de promoções queria algo de diferente para oferecer ao público, além da clássica figura do Papai Noel. Murilo sugeriu então a criação de uma companheira. A idéia foi aprovada e Mamãe Noel teve uma receptividade que nem ela esperava. O casal que na vida real está junto há 38 anos, encontrou mais um motivo para se manter unido.
Esta é a história de um Papai Noel, porque muitos outros personagens se multiplicam pela cidade, tentando driblar o dinheiro curto, ou a falta total dele. Representando uma fonte de renda extra, mesmo que por breve tempo, a figura de Papai Noel torna-se cada vez mais numerosa e acirrada nas grandes cidades.
Assim como aparecem, esses supostos velhinhos também desaparecem, sem deixar pistas. A informalidade que cerca o campo torna praticamente impossível qualquer estudo para se obter um traço da categoria. Entidades como a Associação Comercial do Paraná e o Sindicato dos Comerciários não têm estatísticas ou um cadastro que revele o universo de pessoas empregadas como Papai Noel. Assim como elas podem ser contratadas pelas lojas, também existe as que faturam visitando somente residências.
Para o casal Oliveira vestir a fantasia é uma impropriedade, porque eles se sentem realmente na pele dos velhinhos que vem trazer alegria para crianças e adultos. Coloco a roupa e tudo muda para mim. Eu me transformo, principalmente quando se trata de lidar com as crianças. Faço tudo para agradar; parece que vou parar no paraíso, conta Murilo.
Sua mulher, Delourdes, fica na dúvida: Não sei se fazemos bem aos outros ou a nós mesmos. Depois de quase um mês convivendo com Mamãe Noel, o último dia é de tristeza, como se fosse uma despedida. Porém, o efeito da transformação é intenso: Tem hora que dá a impressão de que vou voar. A magia vem do céu. Por essas e outras é que, neste caso específico, o dinheiro é consequência, segundo afirmam. Se fosse só por isso, não teria tanta graça, dizem. Mas que ele é benvindo e de grande valia, aplainando os nós financeiros, não resta a menor dúvida. É um presente que recebem em meio a toda essa magia.


