Serviço de Inteligência irá atuar mais na reforma agrária
Sônia Cristina Silva
Agência Estado
De Brasília
O serviço de inteligência da Presidência da República passará a colaborar de forma permanente nas ações do governo federal para evitar surpresas em conflitos fundiários. A decisão foi tomada após a constatação de que a ameaça de ocupação da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG), por trabalhadores rurais e o saque de um caminhão da propriedade foi decorrente de falhas no sistema de contra-informação.
Uma autoridade ligada ao Palácio do Planalto disse que ao voltar da Europa o presidente deve acatar sugestão de colaboradores e criar uma coordenação, subordinada à Casa Civil, entre o serviço de inteligência e os Ministérios da Justiça e da Política Fundiária para evitar surpresas desta natureza.
Até agora, o setor de inteligência vinha atuando ocasionalmente, somente em momentos de crise com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com a decisão dos trabalhadores de montar acampamento em frente à fazenda do presidente, os assessores do Planalto passaram a defender uma atuação integrada, capaz de garantir respostas mais rápidas e eficazes diante de situações de risco.
O governo acredita que a atuação coordenada das áreas de inteligência, Justiça e reforma agrária acabará com a fragilidade atual, permitindo fazer diagnósticos, identificar pontos frágeis, definir estratégias seguras de ação e avaliar as consequências.
Buritis Os militantes do MST deixaram ontem a frente da fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso, onde estavam desde terça-feira, reivindicando recursos para o plantio. Eles, agora, ameaçam invadir a agência do Banco do Brasil do município caso o dinheiro não seja liberado. O período para o plantio da safra se esgota dia 30.
A decisão de deixar o local foi tomada sábado, após uma comissão negociar com o Incra, que havia condicionado a liberação de recursos (cerca de 3 milhões) à saída do local. Antes de sair, os sem-terra devolveram ao administrador da fazenda, Wander Gontijo, as 100 sacas de adubo e as cinco sacas de soja que haviam saqueado na quinta-feira. Por causa do saque, o juiz José Antônio Maciel, do município de Arinos, em Minas Gerais, determinou a prisão preventiva do líder do movimento Jorge Augusto Xavier de Almeida, que está foragido.
Desde sexta-feira, 250 soldados do Batalhão da Guarda Municipal do Exército, com armas, coletes à prova de balas, capacetes e gás lacrimogêneo, protegem a Córrego da Ponte. De acordo com o major Cláudio Montenegro, mesmo com a desmobilização do acampamento, não há previsão para a retirada do Exército do local, que conta com o reforço de dez agentes da Polícia Federal e 30 policiais militares na segurança fora da fazenda. Os sem-terra ameaçam entrar na Justiça para pedir que os gastos com a manutenção do Exército na área sejam ressarcidos aos cofres públicos.





