Serviço de Inteligência da PF dará apoio à Força-Tarefa montada no Rio
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 29 (AE) - O diretor-geral da Polícia Federal, Agilío Monteiro Filho, afirmou hoje que o Serviço de Inteligência da PF dará apoio à Força-Tarefa - convênio firmado pelos governos federal e estadual para combater o tráfico de armas e drogas e reduzir a violência no Estado - com trabalhos de investigação. A coordenação ficará a cargo do diretor da Divisão de Repressão e Entorpecentes da PF, delegado Getúlio Bezerra, que chegará ao Rio nos próximos dias.
Segundo Agílio Filho, o Serviço de Inteligência atuará em conjunto com a Polícia Civil no mapeamento de pontos vulneráveis de entrada e saída de drogas e armas no Rio. Segundo ele, se houver necessidade, os agentes subirão nas favelas e morros para a identificação dos locais. Alegando questões estratégicas, o diretor-geral da PF não revelou o número de agentes federais envolvidos no trabalho, mas disse que serão deslocados policiais federais de outros Estados para ajudar nas investigações.
"O Rio de Janeiro é dos grandes centros consumidores de drogas, e portanto, requer uma investigação detalhada", ressaltou Filho. De acordo com ele, uma das medidas que será tomada de imediato no combate ao narcotráfico será o aumento de lanchas na Baía de Guanabara, considerado um dos principais pontos de ação de quadrilhas especializadas em contrabando de armas e drogas. A baía é cercada pelo Complexo da Maré, que reúne dezenas de favelas. Agílio Filho acrescentou que a PF trabalha também com a hipótese de que o contrabando de armas e drogas no Estado esteja sendo feito através de aeroportos clandestinos, principalmente no interior. "Vamos fazer um levantamento da existência desses aeroportos", disse. O Rio de Janeiro tem 23 aeroportos, mas apenas o Aeroporto Internacional Galeão/Tom Jobim tem fiscalização federal por conter vôos internacionais. Já os menores são subordinados aos fiscais das Seções de Aviação Civil (SACs). Favelas - Para o superintendente do Rio, Luis Pedro Berwanger, a participação da PF na Força-Tarefa se equivale a Operação Mosaica desenvolvida por agentes federais, em 1988, nas favelas do Rio. Na época, foram presos criminosos envolvidos com o narcotráfico e o contrabando de armas. Mesmo com a criação da Força Tarefa, a violência no Rio se prolifera. A Divisão Anti-Sequestro investiga um novo caso em que foi vítima o empresário Robert ávila de Souza, de 28 anos. Ele foi sequestrado no começo da noite de segunda-feira, pouco depois de deixar sua loja de peças de refrigeração - a Casa dos Frios - no bairro de Del Castilho, na zona norte. Souza foi levado por quatro homens que o retiraram de seu Audi vermelho.
A Secretaria de Segurança do Estado também quer identificar os criminosos que aparecem em carros armados. Ele foram fotografados pelas câmeras de um radar de controle de velociadade, instalado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), órgão da Prefeitura. Em diversos carros, os grupos, chamados de "bonde", aparecem com metralhadoras, fuzis e outras armas com a metade do corpo para foram dos veículos. As fitas foram enviadas pelo prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), ao governador Anthony Garotinho (PDT). Os dois estão brigados. Conde quer o Exército nas ruas e Garotinho é radicalmente contra à idéia.


