Curitiba - Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a cremação é um serviço, em média, mais barato do que um funeral. A média de preço da cremação no Paraná gira em torno de R$ 3 mil, enquanto o serviço funerário mais barato fica em R$ 5 mil, segundo informação do Sindicato dos Estabelecimentos Funerários do Paraná (Sesfepar).
  No início da década, os dois únicos crematórios do Paraná começaram a prestar um serviço, aparentemente, distante da maioria dos paranaenses. O Crematório Vaticano, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, faz em média 20 cremações por mês. Já o Crematório Metropolitan, no município de Pinhais, também da RMC, realiza cerca de 10 procedimentos por mês, contra uma média de dois mensais no começo da década.
  Segundo o diretor do grupo, que gerencia o crematório Metropolitan, Andrei Matzenbacher, embora a cremação seja um serviço mais barato, as pessoas com maior poder aquisitivo é que tem procurado pelo serviço. ‘‘Está incluso no serviço de cremação também um local para os familiares visitarem as cinzas’’, detalhou.
  O mesmo serviço é prestado pelo Crematório Vaticano. As pessoas podem velar seu familiar, assim como é feito normalmente em funerais com enterro. ‘‘As pessoas podem velar o corpo normalmente e, no final, há uma cerimônia de despedida’’, explicou a proprietária Mylena Cooper.
  A cremação é feita somente em Curitiba, onde é usado o forno que chega a 900 graus, calor suficiente para incinerar inclusive o caixão. De acordo com a Mylena, as alças do caixão e o vidro são retirados. As cinzas do corpo são colocadas em uma urna que é escolhida pelos famíliares. Há urnas até de times de futebol.
  O piloto de avião Sidnei Poli Junior, morador em Londrina, explicou que combinou com seu pai, Sidnei Poli, também piloto, antes dele falecer como seria a despedida. ‘‘Foi uma coisa de família. Era um desejo’’, contou o piloto, que deve cumprir o desejo de seu pai que pediu para jogar suas cinzas no Pantanal, no Mato Grosso.
  Para evitar negociações em momentos difíceis, os crematórios dispõem de planos preventivos que estabelecem o pagamento parcelado em vida, uma despesa que poderia ficar para a família. ‘‘As vezes a família não tem como negociar e ainda pode ter a despesa de hospital’’, observou Andrei.
  Já o plano para funeral, segundo o Sesfepar, varia de acordo com a família. O preço pode variar de R$ 5 mil, um plano mediano, a R$ 25 mil, um funeral luxuoso. O Sesfepar informa que passam 1.200 corpos por mês pelas funerárias de Curitiba. Entre 12% a 17% são pessoas que não podem pagar um enterro e utilizam o serviço gratuito, que dispõe de caixão, transporte, preparação do corpo e o sepultamento. Cerca de 30% pagam em torno de R$ 5,5 mil.

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