A comunidade de Nova Laranjeiras é formada principalmente por descendentes de alemães e poloneses. A maior parte é relativamente pobre, embora seja rica na integração e religiosidade. A Igreja Matriz, edificação mais sólida da cidade, sempre foi ponto de encontro de todos. O padre Francisco Sózzi é figura das mais populares. Do templo, só não caíram as paredes.
Depois que o furacão passou, padre Francisco nem se preocupou em olhar os estragos. Ele conta que saiu ‘‘para recolher mortos e feridos’’. Alfreda Golicheski, 40 anos, rezava na igreja. Ele orou mais ainda durante os três minutos em que permaneceu em uma creche com 39 crianças que ela ajudava a cuidar como servente. Algumas mal sabiam andar. Deu tempo de empurrar a maior parte delas para um banheiro coletivo.
Com três crianças no colo, Alfreda viu pela janela ‘‘um barraco passar voando’’, enquanto ouvia gritos, estrondos e vidros estourando. A creche e as escolas estavam entre as edificações mais firmes e sofreram estragos menores. Graças à isso, nenhuma criança foi atingida diretamente. ‘‘Se não fosse horário de aula teria sido uma mortandade’’, diz Alfreda.
Roseli Oneta, 21 anos, e cerca de dez pessoas que estavam no cartório onde ela trabalhava tentaram segurar a porta principal para que não fosse arrancada pela força do vento. ‘‘Aquilo tudo caiu, não ficou nada em p钒, lembra. Nadir Chofranski, 55 anos, recorda que havia oito homens em seu bar. ‘‘Começou a estourar tudo e as mesas voaram.’’ As pessoas se seguraram em uma coluna de concreto, para não serem arrastadas pelo vento.

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