Cansados de assistirem os números da criminalidade subirem a cada mês, os moradores de Sertanópolis saíram às ruas ontem como forma de protesto. O ato, que tinha como objetivo chamar a atenção das autoridades para a solução de um problema que vem se agravando a cada ano - só em 2008 Sertanópolis somou 19 assassinatos - lembrou um palanque político, no qual autoridades municipais discursaram por longos minutos causando insatisfação até mesmo dos próprios moradores.
A morte do jovem Caio Giuliangeli, 15 anos, assassinado no final do ano passado com golpes de faca foi o ''impulso'' que a sociedade de Sertanópolis estava precisando para tomar uma iniciativa e mostrar a sua insatisfação com a falta de segurança da cidade. Mais que isso, para muitos moradores, as mortes refletem o que eles garantem já estarem sentindo há pelo menos três anos: medo.
A mãe de Caio, Suedes Giuliangeli, teme que a falta de policiais venha ocasionar a morte de mais pessoas. Para ela, a cidade hoje é vista como ''uma cidade do medo'' onde todos só conseguem viver em paz com as ''portas fechadas''. ''Sertanópolis está assim hoje, ninguém tem mais paz para sair de casa e levar uma vida normal. Passei 20 anos da minha vida aqui e lamento muito por ver como a cidade está hoje'', comentou Suedes.
O município que conta com cerca de 16 mil habitantes tem vivido constantes casos de roubos e mortes que segundo a polícia, tem ligação direta com grupos de traficantes de drogas que estariam atuando na cidade. Um dos acusados pela morte de Caio, um adolescente de 16 anos, foi preso mas a polícia continua investigando o caso.
Durante o protesto silencioso, a comunidade vestiu camisa branca e rezou uma oração do Pai-Nosso momentos depois de serem recepcionados com longos discursos de políticos da cidade. Munidos de faixas e cartazes, as pessoas reivindicaram mais paz, segurança e lamentavam a morte do jovem. O manifesto durou pouco mais de uma hora e meia e a população permaneceu o tempo todo em frente à prefeitura.
Uma das faixas estava sendo carregada pela tia de Caio, Lourdes Giuliangeli, que ainda não se conformou com a morte do sobrinho. ''A gente não consegue acreditar como uma coisa dessa pode ter acontecido. Ele era um menino do bem. Precisamos de mais tranquilidade porque ninguém aguenta mais viver assim'', disse.
A funcionária pública Leonice Martins disse que é comum os moradores se trancarem em casa logo que a noite começa porque todos temem circular pelas ruas sem a proteção policial. ''A gente não tem coragem nem de ir numa lanchonete. Preferimos ficar em casa e não correr o risco de sermos roubados ou feridos. Ninguém se sente seguro'', comentou.
Efetivo
O prefeito Reinaldo Ramos Reis (PSDB) afirmou que esteve em Curitiba semana passada reunido com o diretor-geral da Secretaria da Segurança Pública do Paraná, coronel Rubens Guimarães de Souza, que teria garantido o envio de mais um tenente e um sargento para a cidade nas próximas semanas. ''Talvez será viabilizado também pelo menos mais dois policiais para atuar na segurança da cidade'', comentou.
Ao todo, a cidade de Sertanópolis conta com um delegado, quatro investigadores e oito policiais militares. Em entrevista à FOLHA na segunda-feira, o delegado Luciano de Souza Purcino afirmou que todos os crimes tem sido solucionados, mas que a dificuldade em localizar autores de alguns homicídios está diretamente ligada a falta de testemunhas.
Durante o protesto também foi distribuído um folder de incentivo à população para que sejam feitas mais denúncias pelo 181 - o disque-denúncia da Polícia Militar. Ainda segundo o delegado, durante todo o ano de 2008, nenhuma denúncia anônima teria sido feita em Sertanópolis.

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