Sertanejo troca a roça por maconha
Agência Estado

Ed Ferreira/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Fora de controlePoliciais queimam plantação de maconha em Petrolina, próximo à divisa com o Piauí. Em Juazeiro, PF abriu 40 inquéritos em 15 dias contra agricultoresSem comida, com as plantações perdidas por causa da seca e sem ajuda governamental, agricultores de Pernambuco e Bahia se dedicam, cada vez mais, a uma perigosa atividade: plantar maconha. No período de 15 dias, a delegacia da Polícia Federal de Juazeiro abriu 40 inquéritos, que podem levar mais de 80 sertanejos pobres à prisão por cultivo da droga. ‘‘A gente trabalha, trabalha, mas nunca tem nada...’, diz Genesiano Gomes dos Santos, que trocou a roça de feijão pela de maconha.
Santos está preso com o pai, Manuel Marcolino Filho dos Santos, de 63 anos. ‘‘Ele já foi detido duas vezes por plantar maconha’’, confirma o delegado federal, José Nogueira Elpídio. ‘‘Temo que a situação chegue a um ponto que não dê mais para reprimir’’, acrescenta. Além de Genesiano e Marcolino dos Santos, que estão na Casa de Detenção de Juazeiro, a Polícia Federal está à procura de Mário e Francisco Gomes dos Santos, genro e filho de Marcolino, acusados pelo mesmo crime. A mulher Josefa foi a única dos adultos a não ser indiciada e hoje cuida dos 11 filhos e de dois netos do casal.
Marcolino era um dos poucos sertanejos com água corrente na propriedade, a 50 quilômetros de Juazeiro, graças a um encanamento clandestino feito em um projeto de irrigação. ‘‘O pouco de água que existe é usado em plantações de maconha’’, lamenta o agente Pedro Paulo Lima Pessoa. Quem não recorre a essa prática, fica sem a plantação, castigada pela seca, ou é ameaçado de morte pelos traficantes. ‘‘Eles são obrigados a arrendar as terras, em troca de cestas básicas e uma diária que varia entre R$ 10,00 a R$ 15,00’’, conta o delegado Nogueira.

mockup