Paulo Pegoraro
De Cascavel
Uma serraria clandestina instalada no Assentamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu (150 quilômetros ao sul de Cascavel), foi interditada ontem por fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), policiais militares florestais e um representante do Ministério Público porque vinha serrando árvores cortadas ilegalmente pelos assentados. O proprietário da serraria, Pedro Castanha, não estava no local, mas sua filha, um motorista e um agricultor foram presos e levados para a Delegacia de Polícia Civil de Laranjeiras do Sul.
Os presos são Sonia Castanha, 30 anos, que, segundo a polícia administrava a serraria, Claudemir Antonio Alves, 25 anos, que dirigia um caminhão carregado com toras e tinha em seu poder um revólver calibre 38, e o agriculor do assentamento Valentin Voidjinski, 24 anos. Segundo o delegado de Laranjeiras do Sul, Ítalo Biancardi Neto, como os três foram presos em flagrante, não serão liberados sob fiança, conforme determina a Lei de Crimes Ambientais. O motorista também responderá por porte ilegal de arma. Ainda segundo o delegado, Pedro Castanha estava foragido ontem.
Castanha ficava com parte das toras, como pagamento pelo trabalho prestado aos assentados. Os fiscais do IAP, liderados pelo chefe do Escritório de Guarapuava, Celso Alves de Araújo, encontraram no local 263 toras de madeira considerada nobre como marfim, cedro e peroba, que estão sendo mantidas sob vigilância policial. Os equipamentos foram lacrados. O IAP havia denunciado ao Ministério Público a derrubada de mata de preservação. Os assentados deverão ser responsabilizados criminalmente.
O Assentamento Ireno Alves dos Santos é formado por terras que pertenciam à empresa agropecuária e madeireira Araupel e abriga 900 famílias em 16,9 mil hectares. O coordenador do assentamento, Jaime Calegari, disse ontem que a ação seria ‘‘ordem do governo do Estado’’, como parte ‘‘da estratégia de desmoralizar o MST’’.
Segundo Calegari, os próprios assentados já haviam denunciado que madeireiros roubavam árvores ‘‘à vontade’’ na área. ‘‘As autoridades nunca fizeram nada’’. Ele observou que há necessidade de abrir espaço para as lavouras, porque a maior parte das terras do assentamento é formada ‘‘por mata e capoeiral’’. Calegari garante que não se trata de ‘‘florestas’’.

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