São Paulo, 01 (AE) - Mais uma pessoa morreu soterrada hoje em São Paulo, elevando para 21 o total de mortos em decorrência das chuvas desde 1.º de janeiro. O serralheiro Germano Salustiano de Lima, de 37 anos, conhecido na favela do Jardim Capelinha como Alemão, dormia quando um deslizamento de terra atingiu seu barraco, perto da Rua Canuto Luís do Nascimento. Eram 3h30. Os bombeiros conseguiram resgatar seu corpo antes das 5 horas.
A dona de casa Neucina Rodrigues Diogo, de 40 anos, vizinha de Lima, e sua neta Linda Lidiana Silva, de 1 ano, sofreram pequenos ferimentos, foram levadas para o Pronto-Socorro do Campo Limpo e liberadas antes do meio-dia.
O barraco em que elas estavam ficou sem o teto e as paredes do fundo. A terra invadiu a casa toda e por pouco não soterrou a avó e a neta na cama. Elas foram salvas pelo vigilante José Elias, marido de Neucina, que havia acabado de chegar.
Três barracos foram destruídos pela terra, entre eles o de Lima, que praticamente desapareceu. Seis outros foram interditados pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros.
Lima era solteiro e tinha quatro filhos, que vivem com a mãe, a cozinheira Vera Lúcia Neves, numa rua próxima, fora da favela. O serralheiro ocupava, havia dois meses, o barraco do amigo Tião, a quem havia prestado favores.
Beco - As chuvas dos últimos dois dias fizeram com que os moradores da favela do Jardim Capelinha ficassem encurralados entre o córrego, que passa no pé do morro, e as águas que descem do alto da favela.
Resistência - Em dois dias, as casas que ficam às margens do córrego foram duas vezes inundadas. No chão de todos os cômodos do barraco do desempregado Elizeu Paulino só há lama. Ele perdeu cama, geladeira, fogão e documentos. Pelo menos outros 15 barracos estão na mesma condição.
A Defesa Civil do Município pretendia encaminhar ainda hoje os desabrigados da favela para alojamentos da Prefeitura, montados num campo de futebol no bairro de Campo Limpo. Mas ninguém quis ir. As pessoas preferiram ficar em casas de amigos, parentes ou vizinhos. De acordo com as famílias, nos abrigos improvisados pela Prefeitura as lonas podem ser facilmente violadas e seus pertences, furtados.