Serra vai divulgar lista de laboratórios que praticam preço abusivo
Brasília, 04 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, anunciou hoje que vai divulgar a lista de laboratórios que estão praticando reajustes abusivos nos preços de seus medicamentos. Serra disse que o aumento dos preços dos remédios "é grave" e acusou muitos laboratórios de promoverem "abuso disfarçado" no aumento de preços.
Serra informou que o ministério contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo para fazer a coleta de preços dos medicamentos. "Há dificuldades de saber o que está acontecendo, e a Fipe irá acompanhar de maneira mais rigorosa, levando em conta até mesmo a suspensão de descontos", disse. Para o ministro, o "abuso disfarçado" está acontecendo porque muitos laboratórios, além dos aumentos, eliminaram os descontos que ofereciam. "Parece que o aumento é pequeno, mas de fato é muito maior", argumentou.
Serra classificou também como "abuso disfarçado" o uso do índice médio dos reajustes. "O índice não pondera o preço porque muitos medicamentos têm aumento pequeno e outro muito grandes", completou.
Serra lamentou que não haja controle de preços no Brasil
porque isso, segundo ele, impede seu ministério de usar instrumentos legais para coibir aumentos. "Eu fico muito aflito com isso, principalmente com alguns grupos de pessoas que são dependentes, precisam de remédio de uso continuado", ponderou. "O impacto no orçamento delas é realmente insuportável."
O ministro incentivou a população a reclamar quando encontrar aumentos abusivos e procurar medicamentos substitutos mais baratos. "Eu, por exemplo, consumo Lozec (protetor gástrico) e descobri que ele tem um sucedâneo que é mais barato", contou o ministro. "A população deve procurar ver essa possibilidade e reclamar. O ministro salientou que a aprovação da lei dos medicamentos genéricos é uma medida estrutural que permitirá uma redução de 20% a 30% nos preços de alguns remédios. A lei, aprovada recentemente pelo Congresso, obriga os laboratórios a incluírem na embalagem do remédio, além do nome, o componente principal e os médicos a prescreverem receitas com esse componente principal.
O ministro reconhece, entretanto, que a lei não tem efeito imediato nos preços. "Ela precisa ser implantada com muito cuidado, exige preparação técnica, normas, para que o consumidor não seja engambelado", afirmou.





