Brasília, 11 (AE) - As declarações do ministro da Saúde, José Serra, que acusou a apresentadora Xuxa de incentivar a gravidez precoce por ter tido uma filha sem estar casada, receberam apoio tanto de setores tanto do governo, como da Igreja. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, preferiu não citar o nome de Xuxa, nem incentivar a polêmica, mas condenou hoje a influência da TV sobre o comportamento da juventude, especialmente em relação a temas como sexo e gravidez.
"Em geral a televisão, não só o programa de um apresentador ou outro, tende a mostrar exemplos que não são os mais desejáveis para as nossas jovens", declarou Paulo Renato. "Não quero me pronunciar sobre casos específicos", esquivou-se o ministro da Educação. Para ele, no entanto, a influência dos meios de comunicação sobre o comportamento e a gravidez precoce "está clara".
Paulo Renato participou ontem, ao lado de Serra, da abertura de um simpósio internacional sobre gravidez precoce, em Brasília. "Toda pessoa maior de 18 anos tem o direito de fazer suas opções pessoais", observou o ministro, lamentando, no entanto, a divulgação excessiva, pelos meios de comunicação, de maus exemplos para a juventude.
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Chemello, concordou com as críticas de Serra, mas ressaltou que o ministro da Saúde não poderia ter citado o nome da apresentadora. "Nisso, acho que o ministro errou", afirmou d. Chemello. "Afinal, ela também ajuda o governo com as campanhas".
Entretanto, para o presidente da CNBB, Serra tem razão ao referir que a maternidade fora do casamento reflete negativamente na sociedade, principalmente em crianças e adolescentes. D. Chemello, mesmo não querendo referir-se a Xuxa, cita a apresentadora como exemplo. "Pelas informações que temos
ela usou um homem para ter um filho e não para constituir uma família", diz ele. "A Xuxa pode ser considerada um mau exemplo".
Na terça-feira, durante o Simpósio Internacional sobre Gravidez na Adolescência, promovido pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas), José Serra criticou a gravidez precoce e fora do casamento. Ele afirmou que "a exaltação da produção independente estimula meninas de 12 a 13 anos a terem filhos".
Serra colocou em dúvida, durante uma entrevista coletiva
a atitude da apresentadora Xuxa de ter escolhido uma forma independente de ter uma filha. "Fico imaginando essas experiência de produção independente da Xuxa com a Sasha e quantas mães adolescentes, precoces, prematuras, terá estimulado no Brasil ?", disse o ministro.
A apresentadora não quis comentar hoje as declarações de Serra, mas ontem ela classificou a atitude do ministro como demagógica. "Mau exemplo é o que vejo todos os dias na televisão, como aumento do preço dos remédios, hospitais sem médicos e planos de saúde que não respeitam o cidadão".
Xuxa afirmou, ainda, que tinha condições de criar sua filha, "o que não acontece com a maioria do nosso povo, que é vitima de políticos que preferem dar entrevistas de impacto, em vez de tomar decisões que melhorem a vida das pessoas".
O ministro da Saúde disse hoje que suas afirmações não foram analisadas totalmente, mas apenas uma parte de sua idéia. "Em nenhum momento pretendi contestar o direito de uma pessoa como a Xuxa, que não é casada, de ter filhos e dar uma educação para seus filhos", disse Serra a uma emissora de rádio.
Segundo ele, nada tem contra a apresentadora Xuxa, "uma mulher formada, estruturada e adulta que tenha um filho". "Às vezes, a exaltação que a mídia faz disso termina influenciado no agravamento de um problema que já é grave".
Até mesmo o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), falou sobre o episódio. Sem expressar sua opinião sobre a gravidez independente, ACM não perdeu a oportunidade de ironizar o ministro da Saúde. "É só o que faltava, o Serra brigar com a Xuxa", disse o senador. "Agora não tem para mais ninguém, o Serra já brigou com todo mundo".

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