Rio, 29 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, rebateu há pouco críticas de que o gasto social no Brasil se dirige à classe média. Segundo ele, é preciso analisar com cuidado a destinação dos recursos do governo e o efeito de redistribuição de renda que ele promove. "Temos que parar com essa história e fazer estudo sério sobre o assunto", afirmou o ministro, que participa de seminário sobre a social-democracia promovido pelo Instituto Teotônio Vilela, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) . Ele lembrou que em 1986, o cenário analisado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para comprovar essa teoria era diferente. Na época, se incluíam os gastos com habitação que tiveram subsídio durante o governo Figueiredo.
O ministro citou um trabalho do economista do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) Marcelo Soares, que mostra que a participação dos mais pobres na renda brasileira já cresceu de 2,4% de 2,7%. Ele contestou também as críticas de que o SUS está sobrecarregado com o atendimento à classe média. Segundo ele, 70% a 80% da população atendida pela saúde pública têm renda média de R$ 300 por mês. Já 40 milhões de brasileiros, 25% da população total está associada a algum plano de saúde e não utiliza os postos públicos.

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