O ministro da Saúde, José Serra (foto), afirmou ontem, em Brasília, que no ano que vem, o governo federal vai desfazer-se dos hospitais federais que possui. A idéia é transferir os hospitais para Estados e municípios, com os quais já se iniciaram negociações. Segundo o ministro, ainda não houve acordo para transferência porque governadores e prefeitos temem herdar os hospitais e não receber dinheiro do governo federal para administrá-los. ‘‘Para eles pegarem, nós temos de continuar pagando’’, explicou o ministro, adiantando que estuda um sistema de vinculação de verbas para dar segurança aos futuros donos dos hospitais.
‘‘Não é política correta o governo federal ter hospitais’’, comentou o ministro, que já havia manifestado essa posição quando hospitais federais situados no Rio de Janeiro foram alvo do escândalo de compras superfaturadas. O ministro avaliou que um dos fatores de deterioramento dos hospitais federais é justamente o fato de serem administrados pela União. Segundo Serra, não há interesse do governo em investir em hospitais que ficam tão longe da capital. A maioria dos hospitais federais ficam no Rio de Janeiro.
Dentro de uma semana, anunciou ontem o ministro, sairá uma portaria que regulamentará o uso de ar condicionado em hospitais, shoppings, cinemas e órgãos públicos. ‘‘Ar condicionado é a grande via de doença no Brasil’’, acusou o ministro, denunciando que nem hospitais de elite fogem dessa realidade. Ele conta que encontrou até uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que não fazia manutenção do seu ar condicionado. ‘‘Era um tremendo fator de infecção’’, lamenta.
O falecido ex-ministro das Comuicações, Sérgio Motta, foi vítima de uma infecção pulmonar provocada por bactérias que se reproduzem em aparelhos contaminados de ar condicionado. A infecção agravou o estado de saúde do ministro, já abalado por um câncer de pulmão que ele mantinha sob controle. Desde a morte do amigo, o ministro prometia assinar a portaria, mas justificou a demora alegando que preferiu esperar sugestões do novo secretário de Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina. A proposta inicial, disse o ministro, já foi simplificada por Vecina.
Serra e a ministra da Administração, Claudia Costin, anunciaram ontem que em outubro haverá concurso para contratação de 40 gestores públicos. Quem tiver graduação em qualquer curso superior pode concorrer, mas o nível da prova será de pós-graduação ou de especialização em saúde. Os aprovados terão de passar também no curso preparatório de seis meses para tomar posse do cargo. O salário varia entre R$ 2,5 mil a R$ 3,8 mil.
Os concursados vão formular políticas para saúde dentro do próprio ministério e podem até vir a ser aproveitados pela agência nacional de vigilância sanitária que está sendo montada. E serão estáveis. ‘‘Eles ficarão na casa, mesmo após a saída de ministros’’, disse Serra, acreditando que, pelo rigor do exame, entre os aprovados haverá futuros secretários de saúde. Em setembro, será publicado o edital com as regras do concurso que está sendo preparado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

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