Serra quer ação do Cade para conter custo de medicamentos
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por José Ramos 
Brasília, 4 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, afirmou hoje que o custo da saúde subiu mais que a inflação, desde 1994, e tem afetado de forma preocupante o orçamento pessoal de determinados grupos da população e as contas públicas. Segundo Serra, o problema precisa ser analisado de forma global para se definir uma linha de ação, já que não existe concorrência no setor.
Ao comentar o aumento dos remédios, Serra lembrou que o consumidor não pode mudar facilmente de medicamentos, que há barreiras na entrada de novos laboratórios e que o consumidor não pode se abster do consumo. "Acho que o Cade precisa ser mais acionado", comentou Serra, referindo-se ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Ministério da Justiça.
Genéricos - O ministro disse que uma ação que poderá ajudar na questão dos preços dos remédios é a adoção do medicamento genérico, que deverá ter impacto sobre 30% a 40% dos produtos. Ele acredita que a redução de preços desses medicamentos poderá chegar a 30%.
Segundo o ministro, nos últimos aumentos dos remédios, os laboratórios, antes de aplicar os reajustes, suspenderam os descontos que estavam concedendo, causando um impacto maior no índice da inflação. Ele ponderou, no entanto, que mesmo com os genéricos entrando em vigor em breve, os efeitos deverão demorar pelo menos um ano.
"Será necessária uma preparação técnica, de normas e de esclarecimento dos médicos para o consumidor não ser engabelado", afirmou.
Serra disse que seu ministério poderá exigir que o Sistema Único de Saúde (SUS) adote os genéricos. Mas enquanto isso não acontece, o consumidor, segundo o ministro, deve buscar substitutos para o seu medicamento, quando houver, e reclamar contra os preços onde for possível.
Serra falou aos jornalistas depois de participar da missa em memória do deputado Franco Montoro (PSDB-SP), morto no mês passado.


