Serra propõe lista mundial de preços para remédios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
Jamil Chade Especial para Agência Estado De Genebra 
O governo brasileiro defendeu ontem a criação de uma lista mundial de preços de remédios. A proposta foi apresentada na reunião do Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra. O objetivo seria a formação de um banco de dados com preços de medicamentos em diferentes países. Dessa forma, seria possível comparar os valores praticados pelos laboratórios em diferentes partes do mundo, explicou o ministro da Saúde, José Serra.
Segundo ele, com a lista, países em desenvolvimento teriam a possibilidade de comprar medicamentos mais baratos, já que saberiam qual o valor praticado no mundo. O problema é que os fabricantes contam com a exclusividade da patente e de comercialização do produto. A diferença de preços de um mesmo remédio pode ser de até 100% entre países, afirmou o ministro, que participou da reunião. De acordo com o New York Times, a Pfizer, por exemplo, fatura US$ 1 bilhão por ano com o fluconazol - medicamento contra candidíase, eficaz contra meningite criptocócica - e o preço do comprimido varia de US$ 3,60, na Tailândia; cerca de US$ 7 no Brasil; US$ 18 no Quênia; a US$ 27, na Guatemala. Em média, custa US$ 10 e chega ao consumidor por US$ 40. Os norte-americanos são os que costumam pagar mais caro pelos produtos. Pesquisas indicam que eles respondem por mais de 50% dos lucros das grandes empresas farmacêuticas.
Serra reconhece que a proposta não agrada às empresas multinacionais, já que elas preferem negociar os preços de seus produtos com cada país. Defendemos a divulgação das informações para todos os países, principalmente sobre as drogas antiaids, afirmou. - EUA - Somente no ano passado, os americanos gastaram US$ 143,5 bilhões em remédios, um aumento de 18% em relação a 1999. A expectativa é que esse total seja ainda maior este ano.
O preço dos remédios é um problema sério também nos EUA e a gestão George W. Bush não deverá ser muito favorável ao lado do consumidor. Muitos de seus assessores da área de saúde saíram diretamente dos quadros das grandes indústrias farmacêuticas. Os gabinetes do Departamento de Saúde poderão ser ocupados por Ray Gilmartin, presidente da Merck, Anne Marie Lynch, da Pharmaceutical Research, e Carl Feldbaum, do lobby Bio, de biotecnologia. O orçamento do setor poderá ser comandado por Mitch Daniels, executivo da Eli Lilly, que defende a inclusão entre os benefícios do Medicare da cobertura dos gastos com medicamentos.


