Brasília, 15 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, procurou minimizar hoje a informação de que o coordenador de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Hélio Souza, sabia da contaminação de plasma na Fundação Hemocentro de Pernambuco (Hemope) desde abril. "Isso é conversa. Se ele sabia
manteve em segredo", afirmou o ministro durante a convenção do PSDB em Brasília quando perguntado pelos jornalistas sobre a possibilidade de Souza ser demitido do cargo em função da denúncia revelada pela imprensa.
Ele lembrou que o próprio coordenador de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde afirmou em entrevista publicada nos jornais que havia apenas um boato e que não se podia agir diante de rumores. Serra confirmou que ficou sabendo da informação sobre os rumores de contaminação do plasma de sangue do Hemope num encontro que manteve com o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Waldir Paiva Mesquita, e o senador Tião Viana (PT-AC) no último dia 4 de maio.
O ministro procurou demonstrar que não há, no momento, risco envolvido na doação de sangue feita no Brasil. "Na grande maioria dos estados, não há problema nenhum de receber sangue", afirmou. Ele disse que até mesmo nos estados suspeitos de terem mandado plasma contaminado a possibilidade de se fazer uma doação de sangue segura está garantida por causa do controle feito pelo Ministério da Saúde. "Não há menor dificuldade, pelo amor de Deus", afirmou.
Apesar disso, ele afirmou que a vigilância está sendo redobrada. "Não há motivo para pânico para receber sangue praticamente na totalidade do País", afirmou. O ministro também disse que estava falando com "sinceridade e convicção". Por fim, Serra lembrou que o problema levantado pela imprensa é localizado e que o governo vem tendo uma ação preventiva na questão do controle de qualidade do sangue usado nas doações feitas em hemocentros.
O presidente do CFM, no entanto, já questionou a posição adotada pelo coordenador de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde no momento em que foi informado sobre a existência de rumores dando conta da contaminação de plasma no Hemope. O próprio Mesquita disse que ao sair de uma reunião realizada no Ministério da Saúde, no dia 28 de abril, em que o assunto foi discutido procurou a diretora de Processamento Industrial de Plasma da Fundação Hemope, Cândida Cairutas. Segundo o presidente do CFM, a própria diretora do Hemope confirmou a existência de plasma contaminado.

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