Rio de Janeiro, 20 (AE) - O ministro da Saúde José Serra disse hoje ser contra a privatização de companhias de saneamento. "É diferente privatizar empresas de telefonia, ou até mesmo de petróleo, de privatizar uma companhia de saneamento", comparou. O ministro ainda condenou aqueles que deixam de investir nas empresas como "uma arma para forçar a privatização".
"O governo não compartilha dessa idéia", afirmou.
Segundo Serra, as companhias de saneamento demandam muito investimento a fundo perdido. Para ele, impulsionar a privatização com cortes nos financiamentos nas empresas é um "meio inidôneo".
O ministro passou a tarde no Rio, visitando instituições de sáude. Primeiro participou da inauguração da nova enfermaria do Hospital de Laranjeiras, na zona sul. O Hospital, que tem 196 leitos, é o responsável pela maior produção de cirurgias cardíacas do Rio de Janeiro. Em 1999, o ministério da Saúde destinou ao hospital cerca de R$ 25 milhões - 40% a mais em relação ao valor repassado em 1998.
Serra anunciou que o ministério está traçando uma meta de ter, até o final do governo Fernando Henrique, 20 mil equipes de saúde da família - hoje são cerca de cinco mil equipes. "Até o final do ano pretendemos alcançar o número de dez mil", informou. "Cada equipe cuida de mais ou menos mil famílias, ou seja, com dez mil vamos poder cobrir metade da população brasileira".
De acordo com o ministro, Rio de Janeiro e São Paulo são dois estados com poucas equipes, compostas por um médico, uma enfermeira, dois auxiliares de enfermagem e seis agentes de saúde. "É necessário implantar o projeto no interior dos estados."
O ministro também fez uma rápida visita à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), que tem uma dívida em torno de R$ 6 milhões. Serra se reuniu reservadamente com o presidente da instituição, Deusdeth Gomes do Nascimento, e prometeu liberar R$ 280 mil para a ABBR pagar dívidas com o INSS e assim conseguir entrar com um pedido de refinanciamento da sua dívida.
Em um convênio fechado no ano passado, o ministério liberou uma quantia de R$ 400 mil para ajudar a instituição. Por problemas burocráticos, no entanto, a primeira parcela, de R$ 100 mil, que já deveria ter sido depositada, não saiu. O ministro prometeu determinar agilização para que o dinheiro saia e ainda disse que vai providenciar o adiantamento de mais duas parcelas. "Vamos colocar um empenho especial nisto."
Ele anunciou que vai agendar, na próxima semana, uma reunião com representantes do governo estadual e municipal a fim de discutir uma possível ajuda das duas secretarias.
"A gente tem que ajudar a uma instituição como essa para impedir que ela naufrague", afirmou. "É necerrário que os governos estadual e municipal também, já que esta é uma instituição do Rio de Janeiro", assinalou.

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