Serra investe 300 mi contra aids
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quinta-feira, 03 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O ministro da Saúde, José Serra, assina na próxima semana, em Washington (EUA), um empréstimo com o Banco Mundial (Bird) no valor de R$ 300 milhões para programas de prevenção da aids no País, nos próximos quatro anos. Com os recursos, o Ministério da Saúde vai dar ênfase ao atendimento à população heterossexual, que respondeu, no ano passado, por mais da metade dos casos registrados no País, ou seja, 56,7% dos casos. Em 1987, os heterossexuais representavam 7,7%; no mesmo ano, os homossexuais respondiam por 63,3% e no ano passado, 27,4%. A consequência é o crescimento da doença entre as mulheres.
Muitas mulheres casadas estão contraindo aids porque os maridos pulam a cerca e não tomam os cuidados fora de casa, condenou o ministro da Saúde, José Serra, na terça-feira à noite, durante solenidade promovida pelo ministério para lembrar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
Também os jovens (entre 13 e 29 anos), grupos específicos - como caminhoneiros e presidiários - e os brasileiros mais pobres serão alvo dos programas de prevenção. Os homossexuais continuarão tendo atenção do governo para evitar o recrudescimento de casos nessa população.
O fundamental é a prevenção porque custa dez vezes menos prevenir do que tratar, afirmou Serra. Além disso, a prevenção mantém a pessoa saudável, ressaltou o ministro.
Mulheres - Ele se mostrou preocupado com o fenômeno da feminização da doença. Se no início da década de 80, a relação era de até 40 casos em homens contra um em mulheres, recentemente passou de dois casos para um. No grupo de jovens entre 15 a 19 anos a relação já é de um caso masculino para um feminino.
Dos R$ 300 milhões do empréstimo, R$ 135 referem-se à contrapartida brasileira. Até hoje, o País acumulou 135.210 casos de aids e o Estado de São Paulo sempre esteve à frente das estatísticas. Atualmente, o Estado registra 68.947 casos, seguido do Rio de Janeiro com 20.552.
Entre os jovens, a epidemia já fez 46.583 vítimas, uma outra grande preocupação do governo. Cerca de 32 mil casos são entre mulheres, sendo que 75% ocorreram entre 1993 e este ano.


