Serra garante recursos para tratamentos de aids e diz que problema tem "fundo educacional"
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 14 (AE) - O Ministério da Saúde precisa do dobro dos R$ 315 milhões que dispõe no orçamento deste ano para comprar remédios usados no tratamento de doentes de aids. Dos R$ 632 milhões necessários para manter o programa de distribuição de medicamentos gratuitos até o final do ano, pelo menos R$ 100 milhões referem-se ao prejuízo que o governo terá para importar os remédios depois da desvalorização do real. Apesar da soma elevada, o governo garante que não faltarão produtos para assistir os pacientes. "Faremos suplementação do orçamento e não faltarão produtos", adiantou hoje o ministro José Serra, durante a assinatura de convênios para transferência aos Estados de recursos do Projeto Aids 2.
Financiado por empréstimo do Banco Mundial, o projeto prevê a aplicação de dinheiro em programas preventivos e de infra-estrutura para atender os doentes da rede pública. Ele não inclui, no entanto, verbas para compra de medicamentos para aids. O projeto Aids 2 repassará este ano aos governos estaduais e prefeituras R$ 41,3 milhões, recursos oriundos do governo federal e do Bird. Em contrapartida, os Estados e municípios devem aplicar outros R$ 9,7 milhões. Convênios - Foram assinados hoje 119 convênios com os primeiros 89 municípios e três consórcios de municípios em Minas Gerais e no Rio Grando do Sul. A prevenção, este ano, ganha enfoque mais amplo, atingindo mulheres, jovens e pessoas de baixa renda. Serão estimuladas alternativas de tratamento, como os hospitais-dia e postos de testagem anônima. Barato - O ministro disse que o problema da aids no Brasil tem fundo educacional. As pessoas não levam em conta a importância do uso do preservativo ou dos riscos do uso de drogas, segundo Serra. O preservativo, na opinião do ministro, sequer é caro. "Ele é barato", sustenta. O preço fica em torno de R$ 1,50 por três unidades. Para Pedro Chequer, coordenador do Programa DST/Aids, ho produto é caro se considerada a renda do brasileiro. Este ano, o ministério distribuirá 250 milhões de unidades em postos de saúde e entre organizações que trabalham com prevenção.
Os recursos para a compra de medicamentos, incluindo a terapia tripla usada em pessoas doentes saem do próprio orçamento do ministério. O governo garante não faltará dinheiro e lembra que o tratamento com os medicamentos vem reduzindo o número de mortes e as despesas com a assistência do paciente. Segundo o secretário-executivo do ministério, Barjas Negri, para fechar o ano sem prejuízos, alguns recursos destinados a programas que não têm execução total serão transferidos para a aquisição de remédios. "A outra parte virá por meio de adicional do Tesouro", explicou Negri.


