Serra é contra a venda pelo correio
Agência Folha
de Brasília
O ministro José Serra (Saúde) considera a venda de remédios pelo correio problemática e, por ora, inviável. Ele acredita que esse meio de comercialização poderá trazer problemas como automedicação e falta de controle nas vendas de medicamentos. A proposta de venda pelo correio foi anunciada na semana passada pelo relator da CPI dos Medicamentos, Ney Lopes (PFL-RN). A medida seria incluída no relatório final da comissão.
Lopes disse que vai insistir na sugestão. Todos os males que possam existir (com a venda) via correio são menores que os (males) dos vendedores das farmácias hoje. Serra elogiou a proposta do presidente da CPI, Nelson Marchezan (PSDB-RS), de conceder incentivos fiscais aos laboratórios que quiserem produzir medicamentos genéricos. Eu fiz essa proposta e o governo está estudando. Ter a CPI endossando é um reforço tremendo, disse.
Ontem, Rubens Ochine, diretor-comercial do laboratório Janssen-Cilag, depôs na CPI e negou que a empresa tenha autorizado dois funcionários a representá-la numa reunião entre grandes laboratórios, realizada em julho último, onde teria sido decidido um boicote aos remédios genéricos. Segundo Ochine, Ney Pauletto Júnior, hoje gerente de vendas da Janssen-Cilag, e Nilson Ribeiro, que, na época, ocupava esse cargo no laboratório e que atualmente é gerente comercial da distribuidora Panarello, não o informaram sobre a reunião, que ele qualificou de encontro informal. Ochine caiu em contradição quando foi questionado por Arlindo Chinaglia (PT-SP) sobre o fato de o encontro ter hora e local marcados, pauta acertada antecipadamente e até ata de sua realização elaborada e que, por isso, não poderia ser informal. Não é crível, respondeu Ochine. Ele mesmo não acredita que o encontro foi informal, disse Chinaglia.
Foi uma confissão, ficou evidente, acrescentou. O deputado disse que vai pedir a quebra de sigilo bancário das 24 pessoas que participaram da reunião. A mesma proposta, no entanto, já foi discutida no início do mês, mas não foi aprovada por falta de consenso.
Já para Ney Lopes, o depoimento não trouxe nenhuma novidade. Já temos indícios suficientes de formação de cartel e não precisávamos desse depoimento. Esses indícios foram levados à CPI por Pauletto e Ribeiro.





