O ministro da Saúde, José Serra, disse ontem, em Brasília, que ‘‘a saúde é sempre um dos alvos preferidos para cortes de recursos em situações de crise’’. Para Serra, é preciso estar sempre alerta. ‘‘Sou economista, sei a forma como os economistas raciocinam’’, afirmou.
Serra fez as declarações durante o discurso na comemoração dos 25 anos de existência do Programa Nacional de Imunizações.
Segundo o ministro, as campanhas de vacinação provaram ser um sucesso e provocaram um declínio na incidência de doenças no país. ‘‘É preciso estar atentos para que esse sucesso não produza uma acomodação. Essas doenças todas nunca vão estar extintas no mundo, derrotamos algumas, outras aparecem’’, disse.
‘‘No Brasil, essa acomodação pode causar corte de recursos. Basta olhar um indicador e achar que aquela doença acabou e não devemos mais gastar nela’’, afirmou.
Com os cortes nas despesas da União, o Ministério da Saúde perderá entre R$ 821 milhões (segundo as contas do Ministério da Fazenda ) e R$ 1,754 bilhão (de acordo com o Ministério da Saúde).
Serra havia criticado o corte no dia em que ele foi anunciado. Depois, passou a evitar críticas abertas, limitando-se a dizer que áreas essenciais, como vacinação, não ficarão sem recursos. Além dos economistas, Serra criticou também ‘‘notícias catastrofistas’’ sobre doenças veiculadas pela imprensa e a ‘‘descentralização idealizada’’. Para ele, é importante descentralizar, mas é igualmente importante que a descentralização seja feita de forma controlada.
‘‘Quando estava no Congresso, costumava dizer que lá havia coisas sagradas, contra as quais ninguém falava: criancinha, mulher, velhinho e município’’, afirmou. ‘‘Para mim, só são sagradas as três primeiras. Não é o fato de passar as incumbências para o município fazer que implica que ele está fazendo bem, que não está desviando, que está integrado na campanha adequadamente.’’
Dengue Exames feitos no Instituto Adolfo Lutz confirmaram o primeiro caso de dengue do tipo 3 no Estado de São Paulo. O paciente contaminado é um montador de méquinas industriais e mora na cidade de Limeira, a 150 quilômetros de São Paulo. Ele foi medicado e já teve alta. A doença, transmitida pelo mosquito aedes aegypt, teria sido ‘‘importado’’ da Nicarágua, na América Central, onde o montador esteve a trabalho.Dida Sampaio/AEVacinaJosé Serra discursa nas comemorações dos 25 anos de criação do Programa Nacional de ImunizaçõesAgência Folha

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