Serra descarta realização de campanha nacional de vacinação contra a febre amarela
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Angela Lacerda 
Recife, 17 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, descartou hoje, no Recife, a possibilidade de ser realizada uma campanha nacional de vacinação contra febre amarela em função dos casos registrados no País. Segundo o ministro, o governo está fazendo um trabalho de persuasão - com a colaboração de agências de viagem e companhias de transporte aéreas e terrestres - para que as pessoas que forem se deslocar para áreas de risco de contaminação da doença (regiões Norte e Centro-Oeste) tomem a vacina com dez dias de antecedência. O governo também poderá, conforme disse, promover campanhas atendendo necessidades locais, a exemplo do que ocorreu em Brasília, onde a população ficou assustada e quis se vacinar.
"A febre amarela nos pegou prevenidos", garantiu Serra
ao afirmar que há dois anos foi realizada uma campanha de vacinação no Norte e Centro-Oeste e parte de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, quando 25 milhões de pessoas foram vacinadas. De acordo com o ministro, entre 1 e 2 milhões de pessoas que vivem em áreas de risco não foram atingidos pela campanha, entre eles seringueiros, devido ao difícil acesso. Serra explicou que o ministério, numa atitude preventiva, estocou 50 milhões de unidades da vacina. "Não faltará vacina em caso de necessidade", assegurou. De acordo dom o ministro, postos de atendimento para vacinação estão sendo montados em rodoviárias (já existem nos portos e aeroportos), sendo importante a colaboração da população, aceitando se vacinar quando viajar para as regiões Norte e Centro-Oeste. Recursos - Serra falou à imprensa no Hospital Português, onde assinou portaria liberando R$ 1,1 milhão para o Programa Emergencial de Cirurgias Cardíacas Pediátricas em Pernambuco. O objetivo é atender 139 crianças portadoras de doenças de coração que aguardam cirurgia em lista de espera nos três hospitais especializados - Hospital Português, Hospital Osvaldo Cruz e Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip). Quatro dessas crianças foram operadas hoje. Os recursos são do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (Faec) do Ministério da Saúde.
A portaria atende pedido do secretário estadual de Saúde
Guilherme Robalinho, após levantamento dos casos de cardiopatia congênita (má formação estrutural do coração ou dos grandes vasos) com indicação de cirurgia no Estado. A urgência da cirurgia se deve ao fato de que a sua eficiência é maior quando realizada antes do primeiro ano de vida. Dos bebês que nascem com cardiopatia, 33% morrem no primeiro mês de vida. Entre os que sobrevivem, 50% correm risco de desenvolver insuficiência cardíaca até completar um ano de idade.


