O ministro José Serra, da Saúde, defendeu ontem a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de restringir a venda de cigarros à apresentação de receita médica. ‘‘O ideal era seguir a recomendação da OMS’’, disse ele. Segundo o ministro, o governo vai lançar uma nova cruzada contra o fumo, com a ampliação da campanha de combate ao cigarro nas embalagens e nas propagandas veiculadas na mídia.
‘‘Reconheço que isso seria inviável, mas não seria legal só comprar cigarro com receita?’’, perguntou. ‘‘Vamos intensificar a campanha sobre os males que o cigarro causa à saúde’’, acrescentou. A diretora da OMS Gro Harlem Brundtland apresentou esta semana a proposta de venda de cigarros só com receita médica durante conferência em Berlim, com a justificativa de que o cigarro causa dependência e pode matar as pessoas.
Segundo ela, o controle sobre a venda de cigarros nos EUA deveria ser colocado sob a tutela da FDA, agência norte-americana de controle de remédios e alimentos.
Novas frases contra o cigarro foram propostas ao ministro da Saúde pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para ser incluídas na campanha oficial sobre os prejuízos do fumo à saúde. ‘‘O cigarro mata mais que suicídio’’ é uma das frases que deverão ser escolhidas por Serra para ser incluídas no final das peças publicitárias da indústria de fumo.
‘‘O cigarro mata mais que heroína, cocaína e Aids - todas somadas’’ e ‘‘Quem fuma corre mais risco de ficar impotente’’ são outras frases já sugeridas ao ministro. Serra também quer processar a indústria do cigarro nos EUA. Ele pretende contratar escritórios norte-americanos de advocacia para esse fim.
O argumento é que o ministério precisa ser ressarcido pelos atendimentos que presta a vítimas de doenças causadas pelo fumo. Projeto nesse sentido está parado em análise na Advocacia Geral da União desde o ano passado.

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