Serra defende fidelidade partidária
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 16 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra (PSDB), defendeu hoje a fidelidade partidária e o limite de 5% de votos para o partido eleger representantes - os itens mais polêmicos da reforma política proposta pelo governo. "Não há democracia no mundo, sólida, consolidada, sem ter partidos de verdade", afirmou. "Não dá para ter partidos que parecem ônibus, você sobe numa esquina e desce na seguinte e, com essa alta rotatividade, temos que pôr um fim a partidos-motel."
Favorável à adoção do voto distrital, o ministro disse que, se for feita hoje uma pesquisa, a maioria das pessoas não se lembraria em quem votou para deputado estadual. "Eu mesmo não lembro, tinha vários amigos e não sei em quem decidi no final", confessou. "Não há controle em relação às pessoas que são eleitas, mas o sistema distrital favorece esse controle, porque você vai escolher entre cinco, seis candidatos e não entre 1.500
numa eleição para deputado estadual."
Serra não quis comentar as disputas partidárias por cargos no primeiro escalão. No caso da Petrobrás, porém, em que PSDB e PFL vêm brigando pelo comando da empresa, com a queda do presidente Joel Rennó - ligado ao PFL -, o ministro disse acreditar que o presidente Fernando Henrique Cardoso não cederá a pressões. "Não creio que o presidente Fernando Henrique aceite que essa disputa tenha efeitos reais, porque a Petrobrás é uma empresa extraordinariamente importante, é fundamental em nível estratégico", afirmou. Ele jurou que, até onde sabe, o PSDB não defende um nome para a presidência da Petrobrás. "O importante é que seja competente", disse, evasivo.


