São Paulo, 12 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, defendeu hoje a entrada de empresas estrangeiras no mercado de saúde para estimular a concorrência, como medida para auxiliar a expansão da qualidade do setor no Brasil. O ministro encerrou hoje, ao lado do vice-governador do Estado, Geraldo Alckmin, o 1º Congresso Paulista de Política Médica, promovido pela Associação Paulista de Medicina (APM), no Maksoud Plaza, em São Paulo. Durante dois dias, o evento reuniu médicos, representantes de entidades e políticos ligados ao setor para discutir os rumos da saúde no País, a formação médica e os sistemas de saúde.
A opinião de José Serra foi dada em resposta à preocupação do presidente da APM, Eleuses Vieira de Paiva, quanto à associação entre empresas de saúde estrangeiras e fortes operadores do setor. Na sua opinião, as joint ventures entre empresas grandes poderiam inviabilizar economicamente a atuação das menores no mercado brasileiro. "O mercado tem que ser competitivo, mas a lei que regulamenta a participação de estrangeiras no País deve ter regras que estabeleçam limites. Caso contrário, teremos formação de cartéis", diz Paiva. Ele afirmou ainda que a entrada de empresas de saúde internacionais no País, por meio de lei regulamentada em 1º de janeiro deste ano, não melhorou a qualidade dos serviços nem aumentou a concorrência no setor. Ele acusa as empresas de chegarem por aqui sem trazer na bagagem preocupações com questões sociais, objetivando apenas o lucro.
"As oito companhias estrangeiras - seis norte americanas e duas européias - que já atuam no Brasil em sistema de joint venture com empresas nacionais querem desenvolver no País uma nova forma de gerenciamento "mananger care", que prioriza o lucro em detrimento da qualidade.
O ministro da Saúde disse que está aberto às propostas, mas não deixou de salientar que o Conselho de Medicina Suplementar (Comsu) é um órgão preparado para evitar esses problemas. Eleuses Paiva aproveitou a ocasião para registrar o pedido de um encontro entre os representantes da APM e o Ministério da Saúde para apresentar as propostas debatidas no Congresso.

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