Brasília, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso já deu o sinal verde e o ministro da Saúde, José Serra, anunciou hoje que está em busca de recursos para criar o Pró-Santas Casas, uma espécie de Proer (programa de socorro aos bancos criado pelo governo) destinado ao refinanciamento das dívidas de Santas Casas e hospitais filantrópicos.
O endividamento bancário dessas entidades pode atingir R$ 300 milhões. O assunto está sendo estudado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e com a Caixa Econômica Federal. A operação está sendo montada pelo ex-ministro das Comunicações, Luís Carlos Mendonça de Barros, que foi chamado por Serra para ajudar no projeto.
"Eu pedi ao Luiz Carlos Mendonça de Barros, que está com uma capacidade ociosa grande em matéria de políticas públicas, que ajude na montagem dessa operação", disse Serra, lembrando que ele havia auxiliado na ajuda à Santa Casa de São Paulo. O ministro acredita que serão necessários de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões para socorrer as entidades.
Serra disse que não se trata de dar recursos a fundo perdido, mas refinanciar as dívidas a juros menores. Em contrapartida, as entidades deverão melhorar suas atividades de administração patrimonial e financeira. "Porque as Santas Casas são muito boas no produto, ou seja, acesso gratuito, bom tratamento, mas em matéria de custos ainda deixam a desejar", afirmou.
O Proer foi um programa de ajuda ao bancos, que custou mais de R$ 20 bilhões aos contribuintes brasileiros. Com o fim da inflação - e com ele o fim dos ganhos que os bancos tinham com aplicações financeiras - o setor financeiro teve seus lucros reduzidos. O governo criou, então, linhas de crédito a custos baixos para emprestar às instituições financeiras. A justificativa para tal socorro: se houvesse uma quebradeira dos bancos brasileiros, as consequências para o País seriam muito sérias.

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