Serra apela a médicos para que receitem genéricos
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 31 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, fez um apelo hoje, em Belo Horizonte, a médicos de todo o País para que comecem a receitar aos pacientes os chamados remédios genéricos. Segundo Serra, dos 27 genéricos existentes no mercado nacional, mais da metade está à venda em farmácias - os restantes são destinados apenas a hospitais -, a preços até 50% mais baixos que os concorrentes, e cabe aos médicos os recomendar, em substituição às marcas tradicionais.
"A população precisa ir aprendendo, mas, acima de tudo, é fundamental que os médicos receitem os genéricos para que seus clientes possam pagar menos", disse. "Eles são de ótima qualidade e substituem perfeitamente os remédios orginais", acrescentou. Serra, que assinou, na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, um contrato de financiamento para a instituição, também anunciou o lançamento, pelo Ministério da Saúde, no segundo fim de semana de abril, de um site sobre os genéricos.
De acordo com o ministro, a idéia é tornar disponível na Internet todas as informações, sempre atualizadas, sobre os medicamentos. "Vamos abrir este site para todas as farmácias do Brasil e também para que a própria imprensa possa acompanhar o lançamento de genéricos, a cada semana", afirmou. "Não dá para mandarmos cartas por Correio toda vez que sair um medicamento", justificou. Para Serra, "dentro de dois ou três anos, os genéricos estarão dominando metade do mercado".
Serra assinou com a direção da Santa Casa de Belo Horizonte, na manhã de hoje, um contrato de financiamento, no valor de R$ 83,5 milhões destinados ao saneamento financeiro da instituição, que acumula dívida de R$ 60 milhões. Os recursos, repassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), têm como agentes financeiros a Caixa Econômica Federal (CEF) e os Bancos Bandeirantes e Bancob.
O financiamento deve ser pago em oito anos, com juros de até 7,5% ao ano. Durante a solenidade, um grupo de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) protestou do lado de fora da Santa Casa. Eles queixaram-se que o governo federal ajuda hospitais privados ou filantrópicos, como a Santa Casa da capital, e deixa sem recursos os hospitais verdadeiramente públicos.


