São Paulo, 14 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, ameaçou hoje vetar o funcionamento de farmácias que não venderem os medicamentos genéricos. O ministro disse que pediu uma apuração para verificar se há descaso das redes de farmácia em relação ao genérico. "Não tenho certeza de nada, tenho a impressão, mas até o fim do ano vamos ter o mercado farmacêutico inundado de produtos genéricos, todos de alta qualidade e bem mais baratos", disse.
Serra fez essas declarações ao participar, hoje pela manhã, com o governador Mário Covas e o secretário estadual de Saúde José Guedes, da inauguração do Hospital Estadual Doutor Waldemar de Carvalho Pinto Filho, em Guarulhos.
"Não haverá fechamento de farmácias, mas se no futuro os genéricos não forem vendidos, a Vigilância Sanitária vai fazer uma portaria que só autorizará o funcionamento das farmácias se elas venderem genéricos", disse Serra, referindo-se às falhas no estoque de genéricos ocorridas no ano passado. Isso não vai ocorrer este ano, segundo Serra, que lembrou existir um intervalo entre o anúncio da autorização para produção do genérico e sua chegada às redes farmacêuticas.
O ministro disse ainda que não há prioridade para o lançamento de medicamento genérico para o tratamento da aids, "porque quem produz o medicamento e distribui gratuitamente é o governo federal". Segundo ele, o ministério está concentrado "naqueles produtos caros que a população tem de comprar na farmácia". Para o ministro, aos poucos a "má vontade" de laboratórios estrangeiros e grandes redes de farmácias de produzir e expor o genérico, dada a margem de lucro pequena, vai acabar.
Genéricos - Hoje o Ministério da Saúde liberou o registro de mais quatro genéricos. Entre eles o Captopril, que tem como referência o Capoten, anti-hipertensivo mais consumido no País. Os outros três medicamentos são os antibióticos Sulfato de Amicacina e Ceftriaxona Sódica e o antimicótico Nitrato de Miconazol.
Testes - O Hospital Doutor Waldemar de Carvalho Pinto Filho - médico que foi provedor da Santa Casa e morreu esta semana - foi inaugurado informalmente ontem (13): dois bebês nasceram lá. As mães, sem vaga em hospitais de São Paulo, foram convidadas a participar dos testes dos equipamentos na maternidade. "Não houve falha, todos estão bem", disse o diretor-técnico da unidade, José Alberto Salinas.
Com 340 leitos, o hospital deverá estar funcionando completamente em três meses, com pronto-socorro adulto e infantil, unidade de queimados, UTI, centros cirúrgico, obstétrico, de radiologia, hemoterapia e exames. Por enquanto, apenas a maternidade, com 112 vagas para pacientes de alto risco
está aberta. Assim que começar a atender todos os setores, a unidade médica deverá receber R$ 36 milhões por ano do Sistema Único de Saúde (SUS), metade do Ministério da Saúde, metade do governo estadual, chegando a R$ 3 milhões de recursos mensais.
A obra, antiga reivindicação da comunidade, estava parada desde 1991, como outras 13 construções hospitalares na Grande São Paulo. "Estamos investindo numa área carente na cidade", disse Covas. No total, o governo gastou R$ 51 milhões na finalização do estabelecimento - R$ 2 milhões em equipamentos.
O centro médico será administrado pela Irmandade da Santa Casa de São Paulo, em parceria com o governo. O hospital deve tornar-se referência para a Regional de Saúde 3, de Mogi das Cruzes, e beneficiará cerca de 2 milhões de pessoas.

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