O ministro da Saúde, José Serra, disse ontem que poderá adotar medidas para aumentar o acesso a medicamentos genéricos, entre elas obrigar cada farmácia a ter uma estante com esses remédios. ‘‘No limite, a gente vai partir para apertos dessa natureza’’, disse o ministro, que esteve no Rio participando de um seminário sobre saúde e educação promovido pelas associações nacionais de juízes e promotores.
José Serra lançou uma lista com 16 medicamentos genéricos importados do Canadá e três produzidos no Brasil, que começaram a ser comercializados ontem, entre os quais o primeiro genérico antidepressivo, o cloridrato de floxicetina (conhecido pelo nome fantasia de Prozac).
‘‘Esse é o primeiro lote de importados importantes. Não para que se substitua a produção doméstica, mas para se ter maior oferta e estimular a (nossa) produção’’, disse o ministro.
José Serra citou a falta de genéricos, na cidade de São Paulo, sobretudo na periferia, como uma questão a ser resolvida. ‘‘Por que para pobres não há genéricos e para a classe média tem?’’ O ministro apontou ‘‘problemas de distribuição das redes de farmácias’’.
‘‘É mais rentável (não vender genéricos). Há laboratórios que aumentaram os descontos para vender similares no lugar de genéricos’’, disse.
Na lista dos 16 genéricos importados do laboratório canadense Apotex estão o antibiótico amoxilina (equivalente à marca Amoxil) e os anti-hipertensivos captopril (Capoten) e maleato de enalapril (Renitec).
O cloridrato de floxicetina está entre os três novos genéricos produzido no Brasil pelo laboratório EMS. Segundo o Ministério da Saúde, esses genéricos custam em média 30% a 40% menos que seus equivalentes de marca.
Já são 154 genéricos registrados no Brasil, sendo 98 para farmácias e 56 para uso hospitalar. Entre os genéricos mais vendidos no País estão o analgésico e antitérmico dipirona sódica (equivalente à marca Novalgina), o antibiótico cefalexina (Keflex) e o ansiolítico diazepam (Valium).
Aids O Brasil reproduzirá fórmulas de medicamentos contra a Aids fabricados pelas grandes indústrias farmacêuticas se os preços não baixarem, afirmou ontem em Bruxelas Paulo Teixeira, coordenador nacional do programa brasileiro contra a doença.
‘‘Se os preços não baixarem de forma adequada, não nos ateremos às licenças para fabricar estes medicamentos’’, declarou Teixeira à AFP depois de participar de uma mesa-redonda em Bruxelas. Teixeira explicou que o Brasil já está produzindo oito dos 12 medicamentos que compõem o coquetel de tratamento contra a Aids e que, antes de meados de 2001, tem a intenção de produzir mais dois.

Os genéricos do Canadá:

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