Por Murilo Fiuza de Melo
Rio, 07 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, disse hoje que o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre gasto social no Brasil, divulgado no dia 4, é "uma besteira". O Pnud recomenda que o governo brasileiro faça uma reformulação de toda a sua estrutura social, porque, segundo os técnicos da ONU, os gastos sociais no País estariam beneficiando os mais ricos do que os pobres.
"É uma análise mal feita, tecnicamente errada e academicamente de segunda categoria, mas que dá uma audiência tremenda só porque está escrita em inglês", criticou o ministro. "O gasto da saúde é profundamente redistributivo, porque ajuda os mais os pobres."
Serra citou exemplo de um estudo do Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de 1994, sobre a região metropolitana de São Paulo. O trabalho mostra que 80% dos gastos com saúde pública vão para os 60% mais pobres.
O relatório do Pnud é sobre a pobreza mundial. A parte referente ao Brasil foi feita pelos economistas José Márcio Camargo e Francisco H. G. Ferreira, do Departamento de Economia da Pontífica Universidade Católica (PUC), do Rio de Janeiro, de onde saiu o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Neoliberal - "Eu fico preocupado com essas teses que dizem que o dinheiro da saúde vai para os ricos, porque é um falsidade e um pretexto neoliberal para não dar mais dinheiro que a saúde precisa", afirmou Serra. Ele mostrou-se muito preocupado com o orçamento da União, que deverá ser votado na semana que vem. Segundo o ministro, o Ministério da Saúde está com um rombo de R$ 2,1 bilhões em seu orçamento de cerca de R$ 20 bilhões. "Estamos conversando dentro da área econômica e com o Congresso", disse.
Serra afirmou que seu ministério foi o que mais enxugou e que, por isso, não pode sair prejudicado. "Tem que ter dinheiro, que venha de algum lugar, porque somos o ministério que mais faz e a carência da população nessa matéria é infinita."

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