Serra afasta diretor de hospital onde morreram 6 bebês
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 28 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, anunciou hoje o afastamento do diretor do Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), Benedito Meirelles. Desde o dia 14 de novembro seis recém-nascidos morreram na unidade, vítimas de um surto de infecção hospitalar. "Eles atuaram de forma correta, mas não comunicaram nada ao ministério", afirmou Serra, ao explicar a exoneração. No lugar de Meirelles, assume a diretoria do HGB o atual diretor do Hospital do Andaraí, Vitor Grabois. O ministro anunciou também que, até março, o Estado contará com 202 novos leitos para recém-nascidos.
"A situação não está fora de controle", garantiu o ministro, referindo-se à nova onda de mortes de recém-nascidos em hospitais do Rio. Na maternidade Oswaldo Nazareth outros cinco bebês morreram na última semana. O secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino, afirmou hoje que os novos leitos em UTIs neonatais e em unidades intermediárias serão implementados em 15 maternidades. O edital para a compra dos equipamentos necessários estará sendo publicado amanhã. Os novos leitos são frutos de um convênio entre o ministério e a secretaria.
"Esses leitos são mais do que suficientes", afirmou Serra. O ministro ressalvou, no entanto, que não basta apenas disponibilizar novos leitos. "Muitas mortes ocorrem por falta de treinamento de pessoal", lembrou. "Às vezes, não lavar as mãos mata crianças." Por isso o convênio prevê também treinamento de 800 profissionais de saúde. Até a disponibilização dos leitos, o atendimento dos recém-nascidos está garantido pela Justiça.
Uma liminar concedida na semana passada pela 24ª Vara Federal do Rio obriga municípios e Estado a não excederem a lotação das UTIs neonatais e a arcarem com os custos de internações em hospitais particulares caso não haja vagas nos públicos.
Convênios - Serra anunciou também que assinou uma portaria que libera o teto dos Estados para a compra dos remédios considerados de alta complexidade. "Se o dinheiro acabar, mas houver demanda, nós cobriremos a diferença", afirmou. O ministro esteve hoje reunido com o prefeito Luiz Paulo Conde, com o secretário estadual de Saúde e com o secretário municipal, Ronaldo Gazolla, para a assinatura de dois convênios. O primeiro diz respeito à municipalização de seis hospitais federais. O Ministério da Saúde continuará arcando com a folha de pessoal e repassará à Prefeitura o orçamento dos hospitais, de R$ 67,8 milhões.
O segundo convênio assinado com o município prevê o repasse de R$ 4,5 milhões para a implementação do Sistema de Gerenciamento de Recursos que tem por objetivo criar uma central única para agendar consultas, marcar exames e internações por computador, garantindo que tudo aconteça com mais rapidez.


