Rio, 07 (AE) - Está faltando história e sobrando "festa e pirotecnia" nas comemorações antecipadas dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. A avaliação é do cientista político Celso Castro, pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Temos hoje muita comemoração, talvez mais festa e pirotecnia do que produção de textos para pensar o País", disse Castro, diretor da coleção Descobrindo o Brasil (Jorge Zahar Editor), uma série de livros em formato pequeno (cada um com 80 páginas) sobre temas da história e da cultura brasileiras
que será lançada amanhã, no Rio.
"Apesar de o projeto ter começado tardiamente (em fevereiro, quando recebeu o convite da editora), eu fico um pouco surpreso com a falta de outras coisas voltadas para divulgar conhecimento." A idéia do pesquisador, que ressaltou não ter "nada contra festas", é lançar pelo menos 12 títulos por ano.
Os primeiros sete são: "Sambaqui: Arqueologia do Litoral Brasileiro", de Madu Gaspar; "Brasil de Todos os Santos", de Ronaldo Vainfas e Juliana Beatriz de Souza; "A Belle Époque Amazônica", de Ana Maria Daou; "Escravidão e Cidadania no Brasil Monárquico", de Hebe Maria Mattos; "Modernismo e Música Brasileira", de Elizabeth Travassos; "A Independência do Brasil", de Iara Lis Souza, e "A Proclamação da República", do próprio Castro. Cada volume custa R$ 14,00.
Conhecimento - "Apesar do formato pequeno, são livros muito completos e extremamente atualizados, não é uma introdução
é uma síntese de cada assunto", avalia o diretor da coleção. Ele conta que a "missão" dos autores foi transformar um conhecimento do qual são especialistas em algo de certa forma acessível a um público mais amplo.
"Os livros têm uma linguagem clara, isso foi uma exigência que fiz, não são dirigidos para um público estritamente acadêmico, e sim para um público mais amplo", comentou. Para ele, é possível falar sobre qualquer tema em vinte ou em duas horas (tempo médio de leitura de cada livro) sem sacrificar o essencial. "Não é uma vulgarização, é uma divulgação, e de bom nível." O pesquisador diz que quem escolher, por exemplo, o livro sobre os sambaquis, que é o tipo de ocorrência arqueológica encontrada no litoral, vai estar lendo "o que tem de mais atualizado e moderno nesse campo".
Visão diferente - "Todos os autores têm pesquisas originais sobre os temas, sabem muito do que estão falando e não abriram mão do rigor", avalia. As obras são de fácil leitura, sem notas de rodapé, artifício normalmente usado em publicações acadêmicas. Em seu livro ("A Proclamação da República"), Castro dá uma visão um pouco diferente daquela encontrada nos livros escolares, em que Deodoro da Fonseca aparece como símbolo do golpe de 15 de novembro de 1889. O autor focaliza não o "líder" ou "mestre", mas seus pretensos "liderados" ou "discípulos" - a quem chama de "a mocidade militar" - como elementos protagonistas da conspiração republicana no interior do Exército que levou ao fim do Império.
Outros títulos - Segundo o pesquisador, já está acertado o lançamento de outros 17 títulos da coleção "Descobrindo o Brasil". Em março, chegam às livrarias mais cinco. São eles: "O Estado Novo", de Maria Celina DAraújo; "Os Índios Antes do Brasil", de Carlos Fausto; "Movimento Operário na Primeira República", de Cláudio Batalha; "Sistemas Partidários no Brasil (1945-2000)", de Rogério Schmitt, e "O Brasil da Nova Era", de José Guilherme Magnami, que trata do crescimento das seitas esotéricas no País.
Outro livro que deverá ser lançado no ano que vem, antecipou Castro, é "O País do Futebol", de Luiz Henrique de Toledo. "Espero que a coleção sirva para as pessoas descobrirem novas facetas do Brasil", disse o diretor da coleção. Ele acha até que as comemorações dos 500 anos do Descobrimento - com toda a "pirotecnia" envolvida - podem ajudar a despertar o interesse dos leitores pela coleção.

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