Série de atentados tiveram início em dezembro
Bauru, SP, 13 (AE) - Eram 2 horas do dia 17 de dezembro, quando o vereador Luiz Carlos Valle (PDT) avistou um clarão alaranjado pela janela da sala. Ele terminava de escrever um relatório e imaginou que fosse um curto-circuito num poste. Engano. Valle, então presidente da Câmara Municipal de Bauru, transformava-se naquele momento numa das vítimas dos atentados que levaram pânico aos moradores, do fim de 1998 até fevereiro deste ano.
As primeiras duas bombas do ataque terrorista tinham sido jogadas havia uma semana no telhado da casa de Erlon Junqueira (PSL). No dia 17, as vítimas foram Valle e o vereador Luiz Roberto Relvas dos Santos (sem partido). Relvas recebia telefonemas anônimos, nos quais os interlocutores descreviam o trajeto feito diariamente por sua mulher e ameaçavam estuprá-la.
Os atentados não paravam. No dia 8 de janeiro, foi incendiado o escritório do advogado Sérgio Mangialardo, que acusava o prefeito de extorsão. Duas semanas depois, foi a vez do advogado e vereador Rubens Spíndola (PSDB), que presidia uma comissão que aconselhou, na quarta-feira, nova cassação do mandato de Izzo Filho por cobrar propina de 14 empresários locais - a votação deve ser realizada na sexta-feira.
A periculosidade dos ataques chegou ao ponto máximo em 18 de fevereiro, quando foram disparados cinco tiros contra o carro da assessora do vereador Lucrécio Jacques,Josete Dias Pereira. Ex-companheiro de partido de Izzo Filho, atualmente sem legenda, Jacques tem agora uma imagem bem diferente do prefeito afastado. "Ele é um Al Capone, um bandido perigoso". Josete, que estava dentro de casa, lembra da sensação de pavor, quando saiu de casa e viu seu carro com vidros estilhaçados. "Ouvi os tiros e achei que fosse uma briga".
Momentos antes, uma sucessão de fatos protegeram o vereador Antônio Carlos Garms (PSDB) de levar tiros nas pernas. Djalma Duarte Gonzaga, ex-segurança de Izzo Filho, e o pedreiro Alexandre Humberto dos Santos contaram detalhes da frustrada tentativa de "dar um susto" em Garms. Os dois estiveram à espera de Garms por horas no endereço que haviam obtido: uma rua do bairro Samambaia. Esperavam com um revólver calibre 38, atrás de uma árvore, próximo a uma lombada, onde o vereador teria de reduzir a marcha. "Era para dar um tiro na perna dele", contou Gonzaga.
Como o vereador "demorou" - na verdade mora em outro bairro; quem mora no local marcado é uma parente sua -, os dois foram embora. Evangélico, ex-delegado de polícia e juiz aposentado, Garms procura explicações para o fato de ter escapado. "Oro e pergunto a Deus por que as coisas tinham de acontecer assim na minha cidade", diz. "Tenho certeza que Ele ainda vai me dar a resposta". (U.P.)





