Sergio Naya é transferido para cela especial na Polinter
Agência Folha
Do Rio
O ex-deputado Sérgio Naya chegou às 23 horas de anteontem no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e foi levado a uma unidade da Polinter (Polícia Interestadual do Rio), onde ficará preso aguardando julgamento. Naya estava detido em Brasília desde a madrugada de quarta-feira, após ter se entregado à Polícia Militar.
O ex-deputado é o dono da Sersan, construtora do edifício Palace 2, do Rio, que desabou no dia 22 de fevereiro de 98, matando oito pessoas. Expulso do PPB-MG e cassado por falta de decoro parlamentar, Naya é acusado de responsabilidade criminal no desabamento, seguido de morte. Se condenado, pode pegar até oito anos de cadeia.
A notícia de que Naya seria transferido para o Rio mobilizou dezenas de ex-moradores do Palace 2. Quase 50 deles foram esperá-lo no aeroporto. Um deles estava com uma filmadora, e narrava aos demais todos os passos do ex-deputado ao desembarcar do vôo 299 da Rio Sul. Apesar da mobilização, a polícia evitou que Naya encontrasse o grupo.
No mesmo vôo para o Rio viajava um ex-morador do prédio, Sérgio Ricardo de Almeida, que perdeu tudo no desabamento. O encontro provocou troca de insultos. Assassino, gritou Almeida. Naya respondeu com palavrões, também gritando.
Almeida começou a se lembrar da tragédia e dos amigos que morreram no desabamento. Você é um assassino, matou oito pessoas, disse a Naya, que tentava se esconder atrás de um jornal. Um outro passageiro também xingou o empresário. Quando o avião pousou, Almeida foi para a pista do aeroporto para ver a saída de Naya. Espero que toda vez que você for dormir, lembre das oito pessoas que matou, disse ele.
Antes ir para o Rio, Naya ficou no Batalhão de Operações Especiais de Brasília (Bope), ocupando a mesma sala-cela já utilizada pelo empresário Paulo César Farias e pelo deputado cassado Hildebrando Pascoal, acusado de liderar o narcotráfico no Acre.
O ex-deputado passou por um exame de corpo de delito no IML, para avaliar suas condições físicas. A decisão de transferir Naya para o Rio partiu da juíza da 1ª Vara de Precatórias de Brasília, Eutália Maciel Coutinho e Bastos.
O juiz Everardo Alves Ribeiro, de Brasília, afirmou que o ex-deputado teme vingança de ex-moradores. Ele afirmou que se surpreendeu com a fisionomia abatida e magra de Naya no momento em que ele se entregou. Segundo o juiz, o ex-deputado chorava muito e repetia que estava sofrendo uma injustiça. Com a moral muito baixa , segundo Ribeiro, Naya se recusou, inicialmente, a ir para o IML fazer exame de corpo de delito para atestar o estado em que chegou ao batalhão, mas depois concordou.
Naya poderá permanecer em prisão preventiva por até 81 dias, segundo Ribeiro. A prisão foi decretada por uma liminar, pois a promotoria afirmou que Naya tem mais de uma residência, inclusive no exterior, e poder financeiro. Por isso, teria condições de fugir antes do fim do julgamento. Embora concedida a liminar, o pedido de prisão preventiva ainda está sendo julgado no Rio de Janeiro. A decisão, que estabelecerá a liberação ou manutenção da prisão do ex-deputado, deve sair no máximo em 15 dias.





