Sérgio Cabral presidirá Assembléia do Rio pela terceira vez
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 02 (AE) - O acordo imposto pelo governador Anthony Garotinho (PDT) à sua base de apoio na Assembléia Legislativa (PDT-PT-PSB-PC do B-PPS-PV) funcionou: 67 dos 70 deputados estaduais do Rio elegeram hoje, em chapa única, Sérgio Cabral Filho (PSDB) para presidir a Casa -pela terceira vez consecutiva desde 1995. Com o acerto, o pedetista, sustentado por uma aliança que só tem 22 votos no Legislativo, espera, em contrapartida, aprovar os projetos de seu interesse sem depender exclusivamente da esquerda. Cabral Filho tem a maioria na Assembléia, e seu apoio é fundamental para o Executivo.
Garotinho disse aos 22 parlamentares que o apóiam, em reunião no último domingo, que estava saindo das negociações sobre a composição da direção da Casa, e que os deputados deveriam proceder como achassem melhor. Ficara acertado que a esquerda ganharia três cargos na Mesa Diretora, as presidências de 13 das 26 comissões, maioria nas Comissões de Constituição e Justiça (nesta, incluída a presidência) e de Orçamento (com rodízio no cargo de presidente, começando pelo tucano Paulo Melo). "Vocês (os pedetistas) falam comigo uma coisa, depois correm para o (Leonel) Brizola e dizem outra, estou fora", disse.
Reclamações - Para o deputado Carlos Minc (PT), Garotinho irritou-se porque, sempre que conseguia uma concessão de Cabral Filho, deputados lhe pediam mais, o que o levou a desistir da conversa, para não ter que fazer concessões como distribuir cargos importantes no Executivo. Para Chico Alencar (PT), Garotinho, com o apoio de Cabral Filho, não precisa mais da coligação que o elegeu. "O bloco de apoio é uma ficção", afirmou. Cidinha Campos (PDT) reclamou que o acordo foi "péssimo". Dos 13 cargos na Mesa, dez são do PSDB, PMDB, PFL e PSC.
O resultado foi uma votação tranquila, mas marcada por alguns protestos isolados. Albano Reis (PDT), que teve sua indicação para compor a Mesa vetada por Cabral Filho, se absteve, mas declarou que vai pedir uma auditoria nas contas da Casa e exigir a cassação de Cabral Filho, por suposta infração do decoro parlamentar. O petista Hélio Luz pediu desculpas ao companheiro de bancada André Ceciliano, candidato a terceiro-vice-presidente
e votou contra. Alencar e o também petista Arthur Messias votaram na chapa única, mas deixaram claro que só o faziam por disciplina, pois a bancada fechara questão.
Cidinha Campos votou contra, mas contou que, a pedido de Brizola (os deputados discutiram o assunto hoje com o ex-governador), aceitaria o acordo que lhe deu a vice-presidência da Comissão de Orçamento. A deputada queria ser presidente da comissão em 1999, quando ela examinará as contas do último ano de governo de Marcello Alencar (PSDB) "Vou ser o encosto do Paulo Melo", prometeu a deputada. Melo respondeu com bom-humor: "Tenho o corpo fechado", disse.


