Londrina - A Sercomtel está buscando firmar um contrato com o Exército brasileiro para o desenvolvimento de um projeto piloto do Sistema Nacional de Comunicações Críticas (Sisnacc) – uma rede estratégica de radiocomunicações para a proteção pública e suporte a desastres. O sistema prevê a implantação de um sistema de comunicação interligado entre as agências governamentais com rede exclusiva e padronizada, com o objetivo de concentrar as demandas na área e atendê-las com mais agilidade e maior segurança. A informação foi divulgada na tarde de ontem, durante a palestra no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) proferida pelo General de Divisão Antonino dos Santos Guerra Neto, vice-chefe de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) do Departamento de Ciências e Tecnologia do Comando do Exército.
O projeto está sendo concebido para estabelecer um padrão nacional de comunicação entre os órgãos envolvidos alinhando as várias tecnologias em uma única plataforma. O principal objetivo é que agentes de segurança e fiscalização possam se comunicar em tempo real e com baixo custo, possibilitando a melhoria dos serviços prestados à sociedade. O planejamento inicial abrangerá 27 estados brasileiros, em municípios com população superior a 20 mil habitantes e nas regiões de fronteiras.
A comunicação unificada garante confiabilidade e ação praticamente imediata dos órgãos envolvidos diante de catástrofes, situações de emergência, grandes eventos e diante de episódios que perturbem a ordem pública. Este compartilhamento de informações e alta capacidade de transmissão é estratégico para respostas rápidas e eficazes e deverá ser utilizado pelas Forças Armadas e por agências governamentais como Secretarias de Segurança Pública, Força Nacional de Segurança Pública, Agência Brasileira de Inteligência, Receita Federal, Polícia Federal, Departamento Penitenciário Nacional e Defesa Civil.

FALTA DE GESTÃO


Segundo o general, assim como existem padrões em um sistema telefônico que cobre uma determinada área, o mesmo deveria ocorrer na comunicação pública. "Para atender a um grande evento não há um padrão. A polícia civil usa um determinado tipo de equipamento, assim como a polícia militar, os bombeiros e a defesa civil usam outros. Essa falta de padronização em uma situação de emergência pode gerar um fracasso ou a ação das autoridades terá um efeito reduzido pela falta de governança. Temos que trabalhar de forma mais harmônica e coordenada. O cidadão paga muito pela falta de gestão", afirmou.
Segundo o presidente da Sercomtel, Christian Schneider, as Forças Armadas já licitaram o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), cuja empresa vencedora para operá-lo foi a Savis Tecnologia e Sistemas S.A., do grupo Embraer Defesa & Segurança. No entanto, a empresa precisa de parceiros locais e estratégicos e a Sercomtel tem interesse em assumir esse papel, afirmou Schneider. "A Sercomtel possui experiência, conhecimento e conectividade. O Paraná surge como opção porque temos o backbone (redes de computadores) da Copel e a Sercomtel pode ser a gestora desse sistema porque ela é uma empresa de capital totalmente nacional, e isso, para as Forças Armadas, é um ponto extremamente importante porque 75% dos investimentos que toda indústria bélica brasileira faz precisam ser com empresas nacionais obrigatoriamente por lei. E por que não a Sercomtel?", disse.
O presidente da telefônica londrinense destacou que o fato da Sercomtel ser uma empresa pública e não ter parcerias com multinacionais – o que era um aspecto ruim pelo modelo de telecomunicações adotado pelo Brasil – passou a ser um fator positivo. "Como a Sercomtel é uma empresa de gestão pública e de capital nacional pode se enquadrar em uma inexigibilidade de licitação prevista em lei em casos de segurança nacional".

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