Bogotá (AE-IPS) - Os sequestros e o cessar fogo serão as prioridades da sociedade civil da Colômbia nas negociações do governo com os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), cujo início está previsto para 7 de julho.
Ana Bernal, diretora da Rede de Iniciativas para a Paz (Redepaz), que reúne cerca de 30 organizações não-governamentais (ONG), ressaltou que levará a proposta ao Comitê Temático criado pelo governo de Andrés Pastrana para conhecer os projetos da sociedade civil relacionados com o diálogo de paz. O Comitê Temático é integrado pelos presidentes das duas Câmaras legislativas, um prefeito, um governador, um representante do setor empresarial, um dos meios de comunicação, um das universidades e um sindicalista.
O presidente Pastrana indicou que o Comitê Técnico será a ponte entre a mesa de negociação com as FARC, a maior força guerrilheira do país, e a sociedade colombiana. Bernal foi eleita pelo organismo consultivo do governo, o Conselho Nacional de Paz (CNP), como representante de um setor da sociedade civil na Comissão Temática.
A diretor da Redepaz disse que seu propósito é levar a proposta à Comissão, num princípio, e que espera estendê-la também ao Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo grupo rebelde, e ao resto das organizações armadas irregulares. Bernal informou que, além do cessar fogo e a suspensão dos sequestros, levará também à mesa de negociações outros temas do direito internacional humanitário, como os desaparecimentos forçados de pessoas, os massacres e demais ações dos grupos armados que afetam a população civil.
O cessar de todas estas violações dos direitos humanos e do direito internacional humanitário foi avalizado por 10 milhões de colombianos que em 1997 votaram o "Mandato Cidadão pela Paz", promovido pelo Redepaz e por outros grupos da sociedade civil. "A sociedade civil não pode continuar sendo presa de guerra" e os grupos armados devem entender que com estas ações de força só conseguirão perder a credibilidade, disse Bernal. Os informes dos organismos de segurança indicam que desde o começo do ano foram sequestradas na Colômbia 1.047 pessoas, 30 delas estrangeiras, em ações atribuídas em sua maioria à guerrilha.
O mesmo informe indica que as FARC são responsáveis pela maioria dos sequestros, seguidas pelo ELN, pelo Exército Popular de Libertação (EPL), dissidentes do ELN e o grupo de Jaime Bateman Cayón, dissidência do legalizado M-19. Os últimos sequestros maciços foram realizados pelo ELN em abril, maio e começo de junho, e afetaram cerca de 150 pessoas. Segundo os organismos de segurança, alguns destes sequestros têm fins políticos, mas a maioria quer dinheiro para financiar as atividades insurgentes.
Os últimos sequestros maciços do ELN foram justificados inicialmente como uma estratégia para pressionar Pastrana de modo que o presidente retomasse o incipiente diálogo. No entanto
quando Antonio García, chefe militar do grupo guerrilheiro esquerdista, informou que seria cobrado resgate pela libertação de alguns dos sequestrados, o governo e a comunidade internacional os condenou de maneira enérgica. García manifestou nessa oportunidade que "assim como o governo exige dinheiro dos cidadãos para financiar a guerra, o ELN tem que fazê-lo para obter recursos que lhe permitam sustentar-se".
Depois de uma troca de mensagens entre a cúpula do ELN e o governo, e a mediação do enviado alemão Bernd Schmidbauer, o grupo insurgente concordou em libertar de forma "incondicional" os detidos sem nada em troca. Bogotá anunciou que logo que a guerrilha cumprir sua palavra e sejam libertados os sequestrados, serão retomadas as negociações. O CNP ofereceu a Pastrana seu apoio nas conversações com as FARC e sua colaboração nos eventuais contatos com o ELN. Jorge Visbal, representante do grêmio dos boiadeiros no CNP, indicou que as propostas de cessar fogo e de libertação dos detidos busca "dar oxigênio ao processo de paz" que, segundo alguns especialistas, "perdeu dinamismo pelas ações da guerrilha".

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