Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Sequestro, perseguição por rodovias e buscas em uma área rural do município de Assaí (36 km a leste de Londrina). A informação de que Marcelo Moacir Borelli – acusado de ser o mentor do milionário assalto a um veículo de transporte de valores da empresa Proforte, em setembro, em Londrina – havia sequestrado a sobrinha de um policial em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) mobilizou ontem pelo menos 50 homens e 10 viaturas de vários grupos especiais da polícia paranaense.
A comerciante Samanta Braga Fonseca, 25 anos, foi sequestrada próximo de sua residência na noite de segunda-feira e até as 20 horas de ontem ainda continuava desaparecida. O primeiro contato com a família só ocorreu às 10h30. No telefonema, um homem apenas confirmou que Samanta havia sido vítima de um sequestro. Rastreada a ligação, a polícia concluiu que a quadrilha estava em Ventania, no Centro-Sul do Estado
Imediatamente, foram acionados o Comando de Operações Especiais (Cope), o Tático-Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), o Grupo Aguia da Polícia Militar, o Grupo de Operações Especiais e o Grupo de Diligências Especiais (GDE), de Londrina, do qual faz parte o tio da vítima, Edmar Ribeiro Fonseca.
Todo o efetivo foi deslocado para a região. Em um segundo contato com a família, ainda sem pedir resgate, os sequestradores estariam em São Jerônimo da Serra. No município de Santa Cecília do Pavão, os policiais começaram a perseguição a Borelli, que dirigia o Corsa preto da vítima. Ele foi abordado pela polícia, mas conseguiu escapar. Temendo que a refém pudesse estar no porta-malas do veículo, os policiais não atiraram no carro.
Em alta velocidade, o sequestrador, que estava sozinho no veículo, mudou de rota e a perseguição continuou por estradas rurais. Próximo a uma mata, um terreno acidentado no município de São Sebastião da Amoreira, Borelli abandonou o veículo. Dentro do carro foram encontrados documentos e uma bolsa de Samanta.
Parte do grupo se embrenhou na mata e outra parte vasculhou a área e arredores. Nas buscas, que começaram por volta das 15 horas, foram utilizados cães e até mesmo cavalos. A caça a Borelli continuaria sendo feita até a madrugada. Até as 21 horas de ontem, ele não havia sido encontrado. Um policial informou que, neste horário, a área estava completamente cercada.
Considerado pela polícia como de alta periculosidade, Borelli é foragido da polícia há quase um ano, quando misteriosamente desapareceu de uma das celas do Cope, em Curitiba. O assaltante teria comandado um dos maiores assaltos da história de Londrina. Na ocasião, foram levados R$ 2,9 milhões de um veículo da Proforte, em uma ação precedida do sequestro dos familiares de um gerente da empresa, que foram obrigados a informar o trajeto do veículo. Nas investigações, a polícia concluiu que 19 pessoas participaram do planejamento e da execução do assalto. Apenas quatro assaltantes foram presos.
O caso voltou à tona este ano. Em depoimento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Narcotráfico, o policial civil Paulo Roberto Oliveira, disse que o assalto teria sido planejado ‘‘dentro da 10ª Subdivisão Policial’’ em Londrina, onde trabalhava. Sem apresentar provas, ele afirmou que o delegado-chefe, Wanderci Corral Fernandes, o delegado-operacional Valdir Abraão da Silva e o superintendente da Seção de Furtos e Roubos, Ademilson Batista, estariam envolvidos diretamente no assalto. Todos os citados negaram a acusação.

mockup