Sequestro faz 4 meses sem solução
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de dezembro de 1996
Evaldo Magalhães 
BELO HORIZONTE - O sequestro dos engenheiros mineiros Demétrio Mendonça Duarte, de 38 anos, e Eduardo Batista de Oliveira Resende Costa, de 39 - funcionários da construtora Andrade Gutierrez por guerrilheiros, próximo a Villavicencio, na Colômbia - completa quatro meses na próxima semana e continua sem solução. Segundo a assessoria de Comunicação da empresa, em Belo Horizonte, não há qualquer novidade no caso. Na casa da família de Demétrio, na Zona sul da capital, a informação é a mesma, embora a esposa do engenheiro, Silvana Duarte, se recuse a falar com jornalistas.
Estamos hoje da mesma maneira que estávamos quando o sequestro foi divulgado, ou seja, sem qualquer notícia, disse ontem pelo telefone, uma parente do engenheiro, que preferiu não se identificar. Demétrio e Eduardo Costa, que trabalhavam no projeto de recuperação da rodovia entre Villavicencio e a capital Bogotá, foram surpreendidos no dia 14 de agosto por guerrilheiros, armados de fuzis, quando passavam de carro sobre uma ponte, voltando do canteiro de obras para o condomínio onde estavam hospedados.
Os dois foram levados no próprio automóvel para uma região montanhosa, nas proximidades do local do sequestro, considerada reduto da guerrilha pela polícia colombiana. A construtora mineira contratou uma empresa inglesa, especializada em segurança, para conduzir o caso. A Andrade Gutierrez negou-se a prestar maiores informações à imprensa, temendo que isso pudesse dificultar eventuais negociações com os criminosos.
O sequestro de estrangeiros, prática comum na Colômbia, funciona como propaganda para as Forças Armadas Revolucionárias (Farc), que financiam suas atividades com o dinheiro dos resgates e o narcotráfico, segundo o governo daquele País.


