Durante mais de quatro horas um assaltante manteve como reféns oito passageiros do ônibus da linha 174 (Central-Gávea), da Viação Amigos Unidos, no Jardim Botânico, zona sul do Rio. Muito nervoso, o homem ameaçava matar as pessoas. Ele manteve uma refém como escudo e sob mira da arma. A polícia negociou a tarde toda. Às 18h50, ele desceu com uma passageira sob mira, foi surpreendido e ferido a tiros na cabeça pela polícia. A refém Geilsa Firmo Gonçalves, ferida com três tiros, e o assaltante - a identidade não foi revelada - morreram após serem levados a um hospital.
Às 17h50, o bandido chegou a simular a execução de um dos passageiros, disparando um tiro no interior do ônibus. O relações-públicas da Polícia Militar, coronel Nilton Lourenço, informou que a polícia não pretendia invadir o veículo.
Às 16 horas, Carlos Leite Faria, de 35 anos, saiu por uma das janelas. Ele é suspeito de ser cúmplice no assalto. Foi levado para a 15ª Delegacia Policial (Gávea), onde disse que trabalha como pedreiro e era passageiro do ônibus. No entanto, um sargento da PM que chegou a entrar no veículo assim que se formou o cerco o ouviu dizendo ‘‘perdi, perdi’’, numa alusão ao assalto frustrado.
O estudante William Nunes de Moura, 28 anos, liberado por volta das 16 horas, contou que o bandido lhe disse: ‘‘Você deu sorte, está sendo liberado.’’ Segundo Moura, ele gritava muito e parecia drogado.
O motorista do ônibus, José Fernandes do Nascimento, de 51 anos, contou que o homem embarcou pouco depois de o ônibus ter deixado o ponto final, na Gávea, por volta das 14 horas. Ele pagou passagem e se sentou no banco que fica atrás do motorista. Segundo Nascimento, não houve anúncio de assalto. ‘‘De repente, carros da polícia cercaram o ônibus e, imediatamente, o homem agarrou a menina e colocou uma arma encostada em seu rosto’’, disse.
Por volta das 16 horas, o bandido pegou uma das reféns, colocou a cabeça para fora de uma das janelas e disse: ‘‘Vocês estão pensando que isso é um filme? Não é, ela vai morrer.’’ Ele obrigou a mulher a escrever num dos vidros, com um batom, a frase ‘‘Ele tem pacto com o diabo.’’ Mais tarde, ele gritou: ‘‘O demônio quer sangue, já morreu uma e vai morrer outra.’’
Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tentaram negociar com o bandido por meio de um telefone celular, jogado para fora do veículo.

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