Sequestro de barco faz aumentar tensão entre Cuba e EUA
Havana, 07 (AE-AP) - Um novo episódio com "balseiros" cubanos ampliou hoje (07) a tensão nas já complicadas relações entre Cuba e EUA. Em meio as mais intensas manifestações antiamericanas dos últimos anos na ilha, causadas pela retenção do garoto cubano Elián González - cuja mãe morreu num naufrágio no Estreito da Flórida quando tentava chegar aos EUA -, autoridades americanas interceptaram na segunda-feira um barco da empresa de turismo de Cuba sequestrado por seis cubanos.
Momentos depois de a Guarda Costeira americana ter confirmado a detenção do barco, o governo cubano passou a exigir, além da devolução de Elián, a repatriação dos sequestradores e da embarcação.
Segundo versão da Guarda de Fronteiras cubana, o barco Albacora estava atracado num porto ao norte de Havana, quando foi abordada pelos sequestradores armados que obrigaram dois tripulantes que estavam a bordo a levá-los até a Flórida. O barco foi interceptado pelas autoridades americanas a 18 quilômetros de Key West.
"A Guarda Costeira americana não pode ainda confirmar a versão de que o barco interceptado tivesse sido sequestrado", disse o porta- voz do órgão, Gibran Soto. "O FBI (polícia federal) e o SIN (serviço de imigração) estão conduzindo as investigações e interrogando os envolvidos."
Acordos sobre migração firmados entre americanos e cubanos estabelecem que balseiros interceptados no Estreito da Flórida devem ser repatriados a Cuba. Mesmo os que conseguem alcançar a terra firme estão sujeitos à deportação se tiver usado métodos violentos para deixar a ilha.
Com o acirramento do sentimento antiamericano, porém, o presidente cubano, Fidel Castro, lançou dúvidas sobre se os EUA cumprirão os acordos. "Que farão com esses sequestradores? Vão deixá-los impunes? Serão julgados por juízes mercenários e corruptos que nunca castigou um deles? Ou vão devolvê-los a Cuba como estabelece o convênio que firmaram", disse, numa entrevista coletiva.
Na véspera, Fidel visitara Cárdenas, cidade costeira próxima do balneário de Varadero, onde vive a família de Elián González. O pai do garoto, Juan Miguel González, que vivia separado da mãe dele, afirmou a ele que conversou por telefone com Elián. "Ele disse que tem saudades e quer voltar", declarou.
Elián completou 6 anos na segunda-feira. O garoto foi entregue a tios-avós que vivem em Miami e foi convertido por grupos anticastristas da Flórida em símbolo do exílio cubano. Uma propaganda de TV da Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), um dos mais ricos grupos de lobby anticomunista da Flórida, revoltou o governo cubano ao mostrar Elián usando roupas com seu logotipo e cercado de brinquedos caros.





