Campinas, SP, 10 (AE) - O garoto Gonçalo Matarazzo e o engenheiro eletrônico Saul Augusto permaneceram quase dois dias sem comer ou beber água no cativeiro. "Foi um castigo imposto aos dois por uma emissora de TV ter divulgado uma reportagem sobre o caso", disse hoje o pai do menino, o empresário Luiz André Matarazzo.
De acordo com Matarazzo, as duas vítimas passaram momentos de pânico em poder dos sequestradores. "Eles os ameaçavam de morte o tempo todo", contou. Gonçalo e o engenheiro foram libertados por volta das 5 horas da madrugada de hoje. Os dois foram deixados em um canavial perto de Indaiatuba, com as mãos acorrentadas. Por volta das 8 horas, as vítimas resolveram sair do local e buscar ajuda. Conseguiram chegar até uma chácara, de onde telefonaram para a casa do empresário.
Depois de passar por um exame médico, o garoto foi levado para sua casa e permaneceu o dia todo com parentes. "Ele está desidratado e com muitas picadas de insetos pelo corpo", disse Matarazzo. Segundo ele, Gonçalo está muito traumatizado e não quis falar com os jornalistas. Por volta das 15 horas de hoje, porém, ele se divertia na piscina de sua casa, junto com outros amigos da vizinhança. "Graças a Deus, ele tem uma boa cabeça e deverá se recuperar rapidamente", disse o pai.
Quadrilha - De acordo com o empresário, um dos momentos mais difíceis do sequestro ocorreu quando pai e filho foram interceptados na Estrada do Fogueteiro, em Indaiatuba. Segundo Matarazzo, três homens armados com fuzis o obrigaram a parar e descer do carro. "Eles disseram que pertenciam à família Oliveira e que se tratava de um sequestro", disse.Os irmãos Oliveira foram responsáveis, no ano passado, pelo sequestro do compositor Wellington Camargo, irmão dos cantores sertanejos Zezé de Camargo e Luciano.
Em seguida, pai e filho foram obrigados a entrar no porta-malas do carro usado pelos sequestradores. "Calculo que andamos cerca de uma hora e meia por uma estrada de terra", conta. Segundo Matarazzo, na primeira noite os criminosos mudaram o lugar do cativeiro duas vezes. "Passamos parte da noite num matagal muito escuro e com muito frio", disse.
Depois que o pai foi libertado, o menino foi levado para outros cinco lugares diferentes. "Ele disse que eram casas rústicas, mas não soube apontar a região." O garoto também contou que o sequestradores conversavam o tempo todo e o ameaçavam de morte, caso o resgate não fosse pago. A chegada do engenheiro eletrônico ao cativeiro, segundo Matarazzo, ajudou a tranquilizar seu filho. "Ele (o engenheiro) foi muito tranquilo e ajudou meu filho durante o período em que passaram em cativeiro", disse o empresário.
O dinheiro do resgate foi entregue pessoalmente ao líder da quadrilha por volta da meia-noite de ontem (09). "Depois foi uma grande agonia, até recebermos o telefonema comunicando que meu filho e o engenheiro estavam em liberdade", contou.
Apesar do trauma, Matarazzo disse que não pensa em contratar seguranças para proteger sua família. "Esse é um problema grave, da nossa sociadade, que infelizmente ainda voltará a acontecer", comentou."Não sei porque minha família foi alvo de um crime como esse, já que sou um pequeno empresário e um cidadão sem importância." O empresário disse acreditar que a polícia conseguirá prender a quadrilha em pouco tempo.

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