Sequestradores se entregam e pedem asilo político na Inglaterra
STANSTED, Grã-Bretanha, 10 (AE-AP) - Terminou pacificamente na madrugada de hoje (10), após 97 horas, o sequestro do avião da companhia afegã Ariana Airlines, desviado no domingo quando fazia a rota Cabul-Mazar-i-Sharif. Às 3 horas locais (4h de Brasília), os sequestradores libertaram 85 reféns, entres eles 20 mulheres e 20 crianças. Três horas mais tarde, os piratas aéreos renderam-se, libertaram os outros 65 reféns que ainda tinham em seu poder e pediram asilo político.
Horas após o fim do sequestro, o ministro do Interior britânico, Jack Straw, informou ao Parlamento que das 150 pessoas a bordo do Boeing 727, 60 adultos e 14 crianças, supostamente seus filhos, também haviam pedido asilo.
Straw assegurou aos políticos que está decidido a "enviar sinais inequívocos de que ninguém pode beneficiar-se do sequestro de um avião".
"Sujeito ao cumprimento dos requisitos legais, desejo ver sair deste país todos os que se encontravam ali (no avião) tão logo possível", disse o ministro acrescentando que um vôo charter estava sendo preparado para a viagem de volta ao Afeganistão. Straw também garantiu aos parlamentares que nenhuma promessa de asilo havia sido feita durante as longas negociações.
Dessa forma, o governo estaria evitando criar precedentes e que solicitantes de asilo recorram ao terrorismo para pedir o estatuto de refugiado político.
A polícia deteve 21 pessoas que estavam no avião e apreendeu quatro armas de fogo, cinco facas, um soco inglês, dois detonadores e duas granadas. David Stevens, chefe de polícia do Condado de Essex, disse que os passageiros ainda estavam sendo interrogados e mais pessoas poderiam ser detidas por sua ligação com o sequestro.
Segundo a imprensa britânica, os piratas aéreos estavam acompanhados de pelo menos 40 membros de suas famílias e reivindicavam asilo político, a ausência de ações judiciais contra eles, e o direito de fundar em Londres um partido político de oposição ao regime do movimento integrista Taleban, que governa quase 90% do Afeganistão.
Sem citar fontes, vários jornais publicaram que os sequestradores, oito no total, são opositores ao regime de Cabul e levaram com eles seus familiares para evitar que estes sofressem represálias em seu país.
De acordo com o chefe de polícia, nas primeiras 74 horas do sequestro os piratas aéreos não haviam apresentado demandas específicas, mas uma hora antes do fim do sequestro, manifestaram sua "preocupação pela situação política no Afeganistão".
No Afeganistão, o ministro da Aviação Civil do Taleban, Akhtar Mohammed Manzoor afirmou que havia sido enviado um fax às autoridades britânicas "dizendo muito obrigado a todos envolvidos por terem posto fim ao sequestro com todos salvos".
Os sequestradores "têm de ser punidos, caso contrário será um exemplo para outros apontando que podem sequestrar um avião e conseguir asilo se é isso que eles querem", disse Manzoor. "Não é certo que eles coloquem em risco a vida de todos os passageiros para conseguir asilo".
A Grã-Bretanha não tem relações diplomáticas com o Taleban, que controla 90% do Afeganistão, e Londres adverte seus cidadãos para não viajarem para o país.





