Os sequestradores de Wellington Camargo estão pressionando a sua família a pagar o resgate imediatamente. Em contato por telefone anteontem à noite, resistiram a dar uma prova de que o rapaz está vivo, mas insistiram que o pagamento deve ser feito logo para que tudo acabe bem: ‘‘arrumem o dinheiro’’, disseram os sequestradores, segundo um membro da família.
O advogado Paulo Viana não quis confirmar a ameaça. Reafirmou que sem a prova de vida - uma carta, uma foto ou uma gravação confirmando que Wellington está bem - não há negociação nem pagamento do resgate cujo valor, segundo ele, jamais foi definido entre a família e os sequestradores de Wellington Camargo. ‘‘Eu costumo dizer que o sequestrado é uma mercadoria que somente interessa à família dele e estando vivo’’, disse ele.
Os irmãos de Wellington, como a dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano, se mantiveram em silêncio e nada comentaram sobre a pressão dos sequestradores, que vem aumentando nos últimos quatro dias. Um dos parentes de Zezé disse, essa semana, que os sequestradores já se revelaram ‘‘nervosos’’ e ‘‘violentos’’, tratam a todos com grosseria e nos raros contatos telefônicos se mostram agitados e estúpidos.
Em 15 dias de cativeiro, este foi o quinto contato desde que Wellington foi sequestrado, dentro de sua casa em Goiânia. Sua mulher, Ângela, e o seu filho de 5 anos, Daniel, permanecem junto da família dele, numa chácara nas proximidades da cidade. Ali, segundo comentaram pessoas da família, Daniel brinca com outros netos de Helena e Francisco Camargo, os pais da dupla caipira, mas as distrações não foram suficientes para anular uma pergunta que faz com insistência: ‘‘Onde está o meu pai?’’
A polícia do Pará prendeu ontem o sem-terra Antonio Fernandes Vieira dos Santos, acusado de envolvimento na morte dos trabalhadores rurais Francisco Fonseca dos Santos, 47, e José Antonio de Souza, 47.
José de Souza e Francisco dos Santos foram mortos a tiros em um conflito entre sem-terra, no último domingo à tarde, na fazenda Carajás, em Parauapebas, sul do Pará.
Anteontem, o delegado Willian Alexandre da Silva havia pedido a prisão preventiva de cinco sem-terra. Silva revelou o nome de apenas mais um suspeito: Valdemar Barbosa de Oliveira.
Em depoimento à polícia Antonio Fernandes dos Santos negou que tenha atirado nos trabalhadores rurais, apesar de ter ido ao local do conflito com Oliveira e outros sem-terra.
Valdemar Oliveira é acusado de ser o mentor das mortes. Ele coordenava o acampamento na fazenda invadida com o apoio do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).Arquivo FolhaDramaFamília teme pela vida do compositor Wellington Camargo, sequestrado há 15 dias em GoiâniaAgência Estado

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