Sequestradores não fazem contato desde segunda
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quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Agência Estado 
Os sequestradores do comerciante carioca Ignácio de Loyola de Barros Damásio, filho da empresária Vera Loyola, interromperam o contato com a família na segunda-feira. Ainda não foi estipulado o valor do resgate e os parentes de Damásio não tiveram nenhum prova de que o comerciante está vivo. Segundo o advogado dos Loyola, Último de Carvalho, até agora, ocorreram apenas dois contatos - o último na segunda-feira -, mas não se chegou a um consenso sobre o valor do resgate. A família está ansiosa para retomar as negociações, disse Carvalho.
Damásio foi levado na madrugada de domingo por dois homens armados que invadiram o galpão da família, em Campo Grande, zona oeste do Rio, onde ele tem uma oficina de conserto de carros. O advogado acredita que a divulgação da sentença da juíza da 17ª Vara Cível do Rio, Teresa de Castro Ruas Nogueira, que determinou o sequestro de quatro imóveis de Damásio, até mesmo a casa onde mora, na Barra da Tijuca, zona oeste, atrapalhou o andamento das negociações.
Desde que esse assunto saiu na imprensa os sequestradores não ligaram mais, afirmou. A sentença, datada de 10 de setembro, foi favorável a uma medida cautelar impetrada pela empresa Brasil Trading, do Espírito Santo, que cobra de Damásio uma dívida de cerca de meio milhão de dólares. A empresa importa veículos da Kia Motors, da qual o filho de Vera Loyola é revendedor.
Ontem, policiais da Delegacia Anti-Sequestro (DAS) verificaram mais quatro denúncias de locais utilizados como cativeiro do comerciante, mas nada encontraram. De acordo com o levantamento do Disque-Denúncia, em apenas cinco dias foram feitas 49 ligações - média de mais de 9 telefonemas por dia. É um recorde desde que serviço foi criado, afirmou José Antônio Borges, coordenador do Disque-Denúncia.
Até então, o caso da estudante Ana Carolina Costa Lino, assassinada em abril, em Laranjeiras, a cerca de 200 metros do Palácio Guanabara, era o que mais tinha recebido ligações.
Apesar da colaboração da população com o Disque-Denúncia, a DAS insiste para que a família ajude nas investigações. Desde o primeiro dia do sequestro, os parentes de Damásio tem se recusado a prestar informações à polícia.
Hoje a advogada Luciana Cristina Simas apresenta ao Ministério Público uma queixa-crime contra os policiais do 14º Batalhão de Polícia Militar, em Bangu, por contrangimento ilegal. Luciana também vai entrar com uma ação cível por danos morais contra Estado. Segundo Luciana, na madrugada de terça-feira cerca de 30 homens do batalhão invadiram sua casa, em Realengo, sem autorização judicial. A alegação era de que o local estaria sendo usado como cativeiro de Damásio.


